Um pouco de economia e muitas discussões sobre risco e lucro. Pequenos negócios, ações, títulos públicos, operações cambiais e mercados de prognósticos esportivos.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Recomendações da Rico Corretora para maio de 2012
A Rico Corretora é bastante popular e em 2012 tem andado bem na carteira de dividendos (17,1% contra 8,9% da Bovespa). Para maio sugerem oito papéis: cinco elétricas (GETI3, CIMG3, TBLE3, COCE5, CESP6), além de BBAS3, MPLU3 e GRND3 (Grendene). A empresa retirou a Eletropaulo da carteira por conta da revisão das tarifas da Aneel. Não entendo porque manteve BBAS3, mesmo observando o péssimo desempenho em abril (-9,1%) e não tendo nenhuma garantia que haverá ingerência governamental na administração do banco. A manutenção da Multiplus se justifica, porque ainda é muito querida pelo mercado. Grendene é uma empresa com bons indicadores e bom pagamento de dividendos.
Selic abaixo de 8% é possível?
É sabido que a poupança limita baixas ulteriores da Selic. As taxas de juros futuras sofreram forte queda hoje, quarta-feira, com a perspectiva da presidente Dilma discutir com a base governista mudanças na fórmula de remuneração da poupança. . É difícil imaginar notícia mais impactante — somente a baixa da poupança de fato assim seria. O contrato de janeiro de 2013 caiu 0,14 p.p., para 8,15, e o de janeiro de 2014 0,22 p.p., para 8,55. Na semana passada prevíamos tendência de queda, mas não tão próxima no tempo.
O momento é delicado. Talvez o mercado tenha reagido excessivamente, por conta do medo. O problema, no entanto, é que há fortes evidências de que a queda dos juros será pra valer. A disposição é da presidente e ela já tem mostrado força gerindo diretamente o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Não será surpresa se o novo piso for abaixo de 8%. Com inflação na meta, de 4,5%, teríamos teóricos juros reais de 3,5%. Para o pequeno investidor, significaria um ganho real, descontados taxas do Tesouro Direto, Imposto de Renda mínimo e inflação, de 1,875%.
Mudar a regra de remuneração da poupança, do ponto de vista técnico, é simples, basta mexer na TR e permitir que possa ser negativa. O problema é político. Mas nada que fórmulas complexas de cálculo não possam ocultar a realidade — foi assim com o fator previdenciário — e as pessoas fiquem com preguiça de entender as mudanças. A decisão, naturalmente, é política, e é muito menos impopular, na minha opinião, que subir o preço da gasolina, por exemplo. Ademais, quem aplica em Caderneta de Poupança nunca esteve muito atento aos números, nos últimos anos, e, sim, à segurança. Cobrar um pouco mais por isso pode passar despercebido.
O momento é delicado. Talvez o mercado tenha reagido excessivamente, por conta do medo. O problema, no entanto, é que há fortes evidências de que a queda dos juros será pra valer. A disposição é da presidente e ela já tem mostrado força gerindo diretamente o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Não será surpresa se o novo piso for abaixo de 8%. Com inflação na meta, de 4,5%, teríamos teóricos juros reais de 3,5%. Para o pequeno investidor, significaria um ganho real, descontados taxas do Tesouro Direto, Imposto de Renda mínimo e inflação, de 1,875%.
Mudar a regra de remuneração da poupança, do ponto de vista técnico, é simples, basta mexer na TR e permitir que possa ser negativa. O problema é político. Mas nada que fórmulas complexas de cálculo não possam ocultar a realidade — foi assim com o fator previdenciário — e as pessoas fiquem com preguiça de entender as mudanças. A decisão, naturalmente, é política, e é muito menos impopular, na minha opinião, que subir o preço da gasolina, por exemplo. Ademais, quem aplica em Caderneta de Poupança nunca esteve muito atento aos números, nos últimos anos, e, sim, à segurança. Cobrar um pouco mais por isso pode passar despercebido.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Efeitos da ata do Copom
A taxa de juros para janeiro de 2013 baixou de 8,40 para 8,35, e de janeiro de 2014, de 8,84 para 8,80. Os analistas econômicos atualizaram suas previsões, de 9,00% ao final de 2012 para 8,75% — enfim se convenceram de que a taxa vai para o piso mínimo ou além desse.
A ata é difícil de ser interpretada. No mínimo, mostra que não há convergência, entre os votantes, para os próximos passos do Bacen. Fala de uma recuperação lenta da economia, ao mesmo tempo que se refere a uma demanda doméstica robusta e uma inflação em queda. Como os efeitos da política monetária, nas palavras dos redatores, são "cumulativos e defasados", movimentos ulteriores devem ser conduzidos com "parcimônia". A decisão dos 9% ocorreu "dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias.
Ora, a ata não diz que o processo tenha se encerrado. É mais provável que nada tenha se decidido para a reunião do dia 30 de maio. O mercado já decidiu pelo corte de 0,25% e creio que irá influenciar os tomadores de decisão.
A aposta passa a ser na economia real. Se a economia não aquecer logo, ficará difícil para o Copom não cortar 0,25 p.p. a cada reunião, mesmo diante do argumento de que os efeitos demoram para ocorrer. Daí podemos imaginar algo como 8,50% ou 8,25% no fim do ano, sem dificuldades. Como não acredito na economia brasileira mudando seu curso tão rapidamente, opto por ficar vendido no médio prazo. Mas no curto prazo, 8,35 é bastante baixo e bem possível que a taxa retorne em maio para a casa dos 8,40, com o mercado menos reativo.
A ata é difícil de ser interpretada. No mínimo, mostra que não há convergência, entre os votantes, para os próximos passos do Bacen. Fala de uma recuperação lenta da economia, ao mesmo tempo que se refere a uma demanda doméstica robusta e uma inflação em queda. Como os efeitos da política monetária, nas palavras dos redatores, são "cumulativos e defasados", movimentos ulteriores devem ser conduzidos com "parcimônia". A decisão dos 9% ocorreu "dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias.
Ora, a ata não diz que o processo tenha se encerrado. É mais provável que nada tenha se decidido para a reunião do dia 30 de maio. O mercado já decidiu pelo corte de 0,25% e creio que irá influenciar os tomadores de decisão.
A aposta passa a ser na economia real. Se a economia não aquecer logo, ficará difícil para o Copom não cortar 0,25 p.p. a cada reunião, mesmo diante do argumento de que os efeitos demoram para ocorrer. Daí podemos imaginar algo como 8,50% ou 8,25% no fim do ano, sem dificuldades. Como não acredito na economia brasileira mudando seu curso tão rapidamente, opto por ficar vendido no médio prazo. Mas no curto prazo, 8,35 é bastante baixo e bem possível que a taxa retorne em maio para a casa dos 8,40, com o mercado menos reativo.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Até quanto baixam os juros?
A novela dos juros baixos tem um capítulo a cada dia. Luciano Coutinho sugeriu que há espaço para redução dos juros, ao mesmo tempo afirmou que a TJLP está no piso em 6%. Citou-se um possível cenário de convergência entre Selic e TJLP.
O relatório Focus de hoje mostra os analistas mantendo a taxa de juros a 9% ao fim de 2012 e 10% ao fim de 2013 e IPCA de 5,08% para 2012 e 5,50% para 2013. Na minha humilde opinião, os analistas estão bem atrasados — aproximadamente meio ponto percentual na Selic. O contrato de janeiro de 2013 fechou a segunda-feira em 8,45 e o de janeiro de 2014 em 9,55.
A ata do Copom só vem na quinta-feira. Só salvaguardaria os analistas do Focus se escrevesse estar encerrado o ciclo de baixa dos juros, o que eu duvido muito. Mesmo escrito, parece que a palavra falada de Mantega tem valido mais do que a impressa de seus colegas.
De qualquer forma, a decisão dos 9% saiu na quarta-feira passada, por unanimidade. Difícil acreditar que tanta coerência também estaria por trás de um piso de 9%. Octavio de Barros adiantou, logo depois, acreditar em 8,50%. O mesmo caminho seguiu Ilan Goldfajn. E o mercado acompanhou a ideia de queda — na quinta-feira, o contrato de janeiro de 2013 foi de 8,66% para 8,40%.
Ora, será que os analistas econômicos estão se fiando demasiadamente na nota à imprensa? O texto diz: dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 9,00% a.a., sem viés. Ora, o texto é de valoração dúbia: se por um lado diz não haver viés, por outro diz haver continuidade de um processo de baixa. O único movimento que se pode excluir é o de alta.
Salvo engano, a ata não irá dirimir essas dúvidas. Duvido que firme com o fim do ciclo de baixa. Esperemos ansiosos. Mesmo assim, sigo opinando que abaixo de 8,50% é muito, ao menos por enquanto.
O relatório Focus de hoje mostra os analistas mantendo a taxa de juros a 9% ao fim de 2012 e 10% ao fim de 2013 e IPCA de 5,08% para 2012 e 5,50% para 2013. Na minha humilde opinião, os analistas estão bem atrasados — aproximadamente meio ponto percentual na Selic. O contrato de janeiro de 2013 fechou a segunda-feira em 8,45 e o de janeiro de 2014 em 9,55.
A ata do Copom só vem na quinta-feira. Só salvaguardaria os analistas do Focus se escrevesse estar encerrado o ciclo de baixa dos juros, o que eu duvido muito. Mesmo escrito, parece que a palavra falada de Mantega tem valido mais do que a impressa de seus colegas.
De qualquer forma, a decisão dos 9% saiu na quarta-feira passada, por unanimidade. Difícil acreditar que tanta coerência também estaria por trás de um piso de 9%. Octavio de Barros adiantou, logo depois, acreditar em 8,50%. O mesmo caminho seguiu Ilan Goldfajn. E o mercado acompanhou a ideia de queda — na quinta-feira, o contrato de janeiro de 2013 foi de 8,66% para 8,40%.
Ora, será que os analistas econômicos estão se fiando demasiadamente na nota à imprensa? O texto diz: dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 9,00% a.a., sem viés. Ora, o texto é de valoração dúbia: se por um lado diz não haver viés, por outro diz haver continuidade de um processo de baixa. O único movimento que se pode excluir é o de alta.
Salvo engano, a ata não irá dirimir essas dúvidas. Duvido que firme com o fim do ciclo de baixa. Esperemos ansiosos. Mesmo assim, sigo opinando que abaixo de 8,50% é muito, ao menos por enquanto.
Vença com folga suas apostas
Há apostas certas e há apostas erradas. Nem sempre a aposta certa é vencedora, afinal, como se diz, o futebol é uma caixinha de surpresas. Mas você apostou no time que de fato jogou melhor, criou boas oportunidades e bolas na trave, porém o adversário fez um gol de bola parada cuja bola desviou na barreira. Não é motivo para desespero. Isso acontece e sempre vai acontecer. Muitos resultados são aleatórios. O importante é você ter a certeza que apostou corretamente. O inverso também vale. Não adianta ficar feliz quando você fez, nitidamente, a aposta errada, e por um golpe de sorte, do destino, conseguiu sair com a vitória.
O mais certo é vencer com folga, porque esse é o único modo de você escapar da aleatoriedade que deixa os apostadores loucos. Barcelona x Chelsea (10.0), por exemplo. Ganhar 10 vezes sua aposta é muito interessante, ainda mais lembrando que o time inglês já foi capaz de vencer o catalão há menos de uma semana e que o Barça vem de duas derrotas. Mas é óbvio que os espanhóis são infinitamente melhores que os ingleses.
O Chelsea entrará retrancado, com duas linhas defensivas, de 4 e 5 jogadores, com Drogba, supostamente dúvida para a partida, marrento, solto à frente. Di Matteo garante que o Chelsea vai atacar, mas ninguém acredita. A estratégia, se é que podemos conceituar assim, é defender-se com unhas e dentes e fazer gols na sorte e no oportunismo. Mesmo assim, uma vitória do Chelsea é muito improvável. Mas apostar em Chelsea +2 (2.05) pode ser uma boa. Mas para vencer com folga, que teoricamente é o mais correto, seria apostar em Chelsea +3 (1.40). É só um exemplo. Mesmo porque se o Barça fizer seu gol logo no começo do jogo, a partida se abre e muitos gols podem ocorrer se os azuis tiverem que sair, de fato, para o jogo. A minha opção, para apostar com folga, é que o Chelsea faz no máximo 1 gol (1.14).
Além do aspecto financeiro, vencer com folga é muito importante para a moral do apostador. E no mundo de apostas, com o risco do desespero e do tilte, a vitória vale muito do ponto de vista psicológico. Com a auto-estima elevada, o desempenho melhora e apostador segue lutando.
O mais certo é vencer com folga, porque esse é o único modo de você escapar da aleatoriedade que deixa os apostadores loucos. Barcelona x Chelsea (10.0), por exemplo. Ganhar 10 vezes sua aposta é muito interessante, ainda mais lembrando que o time inglês já foi capaz de vencer o catalão há menos de uma semana e que o Barça vem de duas derrotas. Mas é óbvio que os espanhóis são infinitamente melhores que os ingleses.
O Chelsea entrará retrancado, com duas linhas defensivas, de 4 e 5 jogadores, com Drogba, supostamente dúvida para a partida, marrento, solto à frente. Di Matteo garante que o Chelsea vai atacar, mas ninguém acredita. A estratégia, se é que podemos conceituar assim, é defender-se com unhas e dentes e fazer gols na sorte e no oportunismo. Mesmo assim, uma vitória do Chelsea é muito improvável. Mas apostar em Chelsea +2 (2.05) pode ser uma boa. Mas para vencer com folga, que teoricamente é o mais correto, seria apostar em Chelsea +3 (1.40). É só um exemplo. Mesmo porque se o Barça fizer seu gol logo no começo do jogo, a partida se abre e muitos gols podem ocorrer se os azuis tiverem que sair, de fato, para o jogo. A minha opção, para apostar com folga, é que o Chelsea faz no máximo 1 gol (1.14).
Além do aspecto financeiro, vencer com folga é muito importante para a moral do apostador. E no mundo de apostas, com o risco do desespero e do tilte, a vitória vale muito do ponto de vista psicológico. Com a auto-estima elevada, o desempenho melhora e apostador segue lutando.
Carteira da Ativa foge do mercado interno
A carteira recomendada da Ativa para o período de 23 a 27 de abril fez uma limpa em ações calcadas no forte desempenho do mercado interno: foram retiradas LAME4, MGLU3 e BRML3. A corretora manteve CCRO3, como opção defensiva. Para aproveitar a divulgação de resultados durante a semana, inseriu KLBN4 e BBDC4. Também sugeriu PETR4 e TIMP3 pelo chamado "potencial de recuperação de curto prazo" — expressão passa a ideia de que parte das recomendações feita pela corretora é baseada em análise gráfica.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
É possível falar de metas em Forex?
Uma das maiores bobagens difundidas no mercado de forex é a questão de metas de rentabilidade. É um mito propagado por enganadores, a fim de fisgar traders ingênuos. Ora, só existe rentabilidade assegurada na renda fixa. Mesmo na renda variável básica, o mercado acionário, é impossível falar de meta. Ainda que as ações tenham crescido 5% ao ano, nos EUA, no século XX, não há nenhuma garantia de que esse desempenho se repita na década que você está. O Nikkei está parado há duas décadas. Nossa Bovespa já faz 5 anos sem ver o topo.
A promessa de rentabilidade de falsários no mercado faz crer que é possível você estabelecer metas. Mas o forex é muito mais agressivo, em termos de variância, do que o mercado acionário. Não dá para falar em metas de percentuais de rendimento, do tipo 10% ao mês ou 30% ao ano. Faz pouco sentido. Para a maioria das pessoas, o Forex trará rentabilidades negativas, até extinguir o depósito da pessoa em razão dos spreads e da aleatoriedade.
Se você quiser trabalhar com metas, aconselho somente controlar o número de trades bem sucedidos. Mesmo assim, você precisará de um número grande de trades — acima de 300 — para ter alguma segurança de que não foi apenas sorte que te levou para o campo positivo. Procure trabalhar com o mesmo range de pips de stop e take profit (exemplo, 30 pips para cima e para baixo), para não bagunçar suas estatísticas. Ou então abra diferentes classes de trades para poder comparar, mais à frente, qual deles você deveria concentrar seus esforços.
A promessa de rentabilidade de falsários no mercado faz crer que é possível você estabelecer metas. Mas o forex é muito mais agressivo, em termos de variância, do que o mercado acionário. Não dá para falar em metas de percentuais de rendimento, do tipo 10% ao mês ou 30% ao ano. Faz pouco sentido. Para a maioria das pessoas, o Forex trará rentabilidades negativas, até extinguir o depósito da pessoa em razão dos spreads e da aleatoriedade.
Se você quiser trabalhar com metas, aconselho somente controlar o número de trades bem sucedidos. Mesmo assim, você precisará de um número grande de trades — acima de 300 — para ter alguma segurança de que não foi apenas sorte que te levou para o campo positivo. Procure trabalhar com o mesmo range de pips de stop e take profit (exemplo, 30 pips para cima e para baixo), para não bagunçar suas estatísticas. Ou então abra diferentes classes de trades para poder comparar, mais à frente, qual deles você deveria concentrar seus esforços.
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