quarta-feira, 16 de maio de 2012

Ativa x XP x Gradual na carteira semanal

As corretoras levaram um olé do mercado essa semana. Todas retiraram PETR4 das sugestões e hoje a ação bombou com resultados muito acima do esperado. De qualquer forma acertaram no caráter defensivo das carteiras, centradas no desempenho do mercado interno. A XP sugeriu VIVT4, CPFL3, AMBV4, CTIP3 e UGPA3, uma carteira bem equilibrada. A Ativa AMBV4, LAME4, CPLE6, BVMF3 e BRML3, acertando muito bem nas Lojas Americanas, até agora. A carteira semanal da Gradual, sempre muito grande, veio de OIBR4, OHLB3, VALE5, BBAS3, ELPL4, TRPL4, CPLE6, SLED4, ITSA4, ETER3 e PSSA3. Parece ser uma carteira desatualizada e sem nexo com a conjuntura semanal.

Euro derretendo

Enfim, agora é pra valer. Se antes a saída da Grécia era a típica aposta de cara ou coroa, 50/50, agora o cenário é outro. Quando o próprio presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, admite a possibilidade da Grécia cair fora, para preservar a integridade do balanço contábil, quer dizer que a queda de braço política torceu o braço grego. Não parece em nada com uma ameaça, mas com um aviso de novos tempos e arranjos políticos frescos e inovadores.
A saída da Grécia ficou mais fácil de implementar do que sua permanência, ainda mais emergindo partidos marginais que por certo não apoiarão mais austeridade. Conhece-se, em algum grau, o preço da saída da Grécia, mas não se sabe o preço da continuidade de uma política econômica insana e desequilibrada.
Temos um mês até as eleições gregas, em 17 de junho. É o teste de fogo do euro, agora em 1.2717. É difícil imaginar qualquer ação que recupere a credibilidade da moeda europeia nesse próximo mês. Além disso, cedo ou tarde a paella vai estragar de vez e causar indigestão nos mercados. A Espanha tem se aproveitado do bode expiatório grego. Notícias positivas, no campo europeu, nos próximos meses, são pausas pro descanso da descida do morro EUR/USD.

terça-feira, 15 de maio de 2012

A influência dos modelos econômicos na análise política

Lee Sigelman e Robert Goldfarb, em artigo para o Journal of Economic Methodology, buscam analisar por meio de quais ferramentas a ciência econômica tornou-se tão influente na análise política. Sugerem que o caminho da influência se deu pela força das técnicas derivadas do modelo de escolhas racionais.
Até o final do século XX, argumentava-se que esse tipo de análise só valia para os norte-americanos, supostamente mais individualistas e utilitários que outros povos. Hoje em dia a análise se estendeu para todas as democracias. No Brasil demorou para se estabelecer, porém ninguém mais duvida de seu poder analítico.
O sucesso do modelo de escolhas racionais se deu, também, pela ausência de outros modelos. Com o fim de grande parte das experiências de socialismo real o horizonte encurtou. A político passou a se ocupar de assuntos do dia-a-dia, ao mesmo tempo em que os eleitores se educaram e se prepararam para as eleições democráticas. A história caminhou para um contexto em que tal modelo se tornou muito bom para prever resultados e orientar candidatos em suas campanhas. Os políticos podem ser construídos sob medida para atender classes e grupos de opinião.
Goste ou repudie, o modelo veio pra ficar. Ajuda a política e presta grandes contribuições à ciência. Por força das pesquisas de opinião, para subsidiar escolhas de campanha, temos conhecido um Brasil de brasileiros que não tinha sido captado pelos tradicionais ensaios acadêmicos, em geral de cunho marxista. Um país de valores conservadores mas que gosta de um Estado amplo e atuante. Um retrato jamais captado por intelectuais, porque enfurnados em seus escritórios não sabiam e não levavam a sério as opiniões do povão.

domingo, 13 de maio de 2012

Quem vencerá a Libertadores 2012?

O Sportingbet está com cotações abertas para o vencedor da Libertadores: Corínthians (4.70), Fluminense (4.70), Santos (4.70), Boca Juniors (6.00), Universidad de Chile (6.50), Vasco (11.00), Velez (11.00) e Libertad (17.00). Na minha opinião, as cotações estão muito espalhadas, distantes umas das outras. Os times são mais equilibrados na prática do mata-mata. Difícil crer que o Libertad tem quase 1/4 das chances do Fluminense, por exemplo. O mesmo vale para o Vasco, que é apenas ligeiramente inferior aos considerados favoritos. Estranha ainda mais se pensarmos que o time paraguaio joga contra o time chileno e um deles vai para as semi-finais com certeza.

sábado, 12 de maio de 2012

Ação ou aventura no forex?

Busque ação, evite aventura, poderíamos dizer. Não adianta investir num par de moedas sem ação. Por ação entendemos um mercado ativo, com grande volume movimentado e respostas claras a novos indicadores, pronunciamentos e fatos políticos. O mercado morno, onde não está ocorrendo a ação dos investidores, é ruim de trabalhar, porque as trajetórias de preços são mais arbitrárias. A arbitrariedade é péssima para o trader, pois cobra spreads e impõe jogo de loteria e não de inteligência. As apostas viram bingo, como se diz, uma aventura que se traduz em prejuízos no longo prazo.
A ação, no mês de maio, está em EUR/USD (25% das posições de traders) e AUD/USD (11,4%). São os pares que melhor respondem às andanças da crise europeia e mundial. A balança dos traders pende a favor da recuperação da economia e do preço das commodities. Difícil saber até que ponto o novo cenário europeu esquerdista já foi precificado.

Carteira da Coinvalores para maio de 2012

A carteira da Coinvalores é sempre muito interessante por conter uma gama muito ampla de ativos. São 17 ativos. Vejamos.
O peso maior, de 10%, vai para VALE5 e PETR4, o que aproxima a carteira com tantas ações ao Ibovespa.  Relacionadas aos combustíveis e minerais, sugere também GGBR4, UGPA3 e CSAN3. No setor de bancos, entre muitas dúvidas, mantiveram ITUB4. Construtoras, há EZTC3 e JHSF3, sem surpresas. Para explorar a força do mercado interno, RADL3, ODPV3, MPLU3 e BRML3. CMIG4 foi a única escolha do setor de energia. OHLB3 é novidade na carteira e, embora possa ter aproveitado os bons resultados divulgados na sexta, há dúvidas sobre o que pode acontecer com a mudança dos controladores. Para aproveitar um possível avanço nos investimentos de infra-estrutura, MYPK3 e CSMG3.
Saíram da carteira BRFS3, CIEL3, JSLG3 e CPFE3. Parece que a carteira fica menos defensiva, apostando na recuperação global da bolsa. O que é questionável nessa data.

Vídeo locadora dá lucro?

Escuto de muitos amigos que o pior negócio do mundo para se abrir hoje em dia é a vídeo-locadora. A morte das locadoras tem sido prevista há anos, principalmente por conta da pirataria. No entanto, muitas ainda sobrevivem e bradam por lucros. Por certo, aproveitam nichos de mercado que se formaram na última década e que provavelmente sobreviverão nos próximos anos sem dissolução.
Quem aluga filmes hoje em dia? Como são formados os nichos? Aluga filmes quem não os baixa na internet e não os compra em camelôs. Basicamente, o público consumidor é formado por pessoas que não dominam as novas tecnologias digitais, seja por preguiça ou dificuldade de aprendê-las (idosos e pessoas de baixo nível educacional, por exemplo), que buscam filmes difíceis de achar no mercado pirata (filmes de arte ou nacionais), ou que se recusam a piratear. O tamanho desses nichos, no entanto, diminuem ao longo do tempo, tornando a vídeo-locadora um mau negócio. Por que as pessoas ainda assim abrem vídeo-locadoras?
Muitos empresários se deixam seduzir pelos atrativos do empreendimento a tal ponto que são cegados pelas más perspectivas do setor. Isso pode acontecer com todos nós, nas mais diversas áreas. Baixo capital inicial, inexigência de experiência prévia no segmento e possibilidade de trabalhar com o que gosta (poder assistir filmes o dia inteiro, e.g.) encantam qualquer um — mas não a ponto de compensar as adversidades reais enfrentadas.
É imprescindível pensar nos caminhos de longo prazo que um negócio pode percorrer. Se as perspectivas não forem boas, a solução é mudar de área, mesmo se for algo doloroso de efetuar no curto prazo. É preciso tomar cuidado com o discurso de que "é importante fazer o que gosta". O prazer de montar um negócio relacionado com seus hobbies e interesses pode sumir rapidamente e o que fica é o gerenciamento de uma empresa como qualquer outra. Talvez seja melhor separar as coisas, como dizem, e dedicar-se à empresa independentemente de seu apego com o setor ou com os objetos. Por último, a inexigência de experiência só tende a piorar a lucratividade da empreitada, tendo em vista que sempre haverá muitos concorrentes, o que força as margens de lucro pra baixo. Pode ser preferível pagar o preço do aprendizado em um setor que exige experiência para encontrar uma posição de mercado confortável após alguns anos.