Sexta-feira a STN divulgou o resultado do Tesouro Direto. Não há novidades. A venda de títulos atrelados ao IPCA continua predominando, com 64,2% (em fevereiro era de 65,6%). E continua forte a preferência por títulos com prazos maiores de 5 anos, 56,8%, no mesmo patamar dos meses anteriores.
Títulos mais longos significam maior exposição ao risco. O título mais seguro, a LFT, não encanta o mercado. Isso significa que boa parte dos investidores do Tesouro Direto não buscam segurança, mas risco/rentabilidade. Não sei até que ponto eles realmente sabem o risco que estão correndo. Boa parte sabe, sem dúvida. As recompras são utilizadas por eles, que mudam suas carteiras conforme a conjuntura. Muitos não são investidores que casarão com esses ativos de longo prazo, parece. O volume de recompras correspondeu a 37,1% do volume de vendas.
De qualquer forma, cumpre adiantar que há pouco espaço para rentabilidades extraordinárias como a de 45,1% nos últimos 12 meses, da NTN-B Principal com vencimento em 15/05/2035. Os títulos de curto prazo já estão trabalhando com uma taxa de juros no patamar de 8,25% (LTN 010114, a 8,30% a.a.).
Quem quer especular com os títulos de longo prazo a dica é não perder de vista nossos dados internos. Inflação, para justificar maiores juros, já possuímos. Só falta nossos indicadores de produtividade industrial reagirem.
Um pouco de economia e muitas discussões sobre risco e lucro. Pequenos negócios, ações, títulos públicos, operações cambiais e mercados de prognósticos esportivos.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Juros e os cenários externo e interno
O mercado testa o piso de 7,75 para os juros de janeiro de 2013, empurrado conjuntamente pelos cenários externo e interno. Semana passada esses dois agentes estiveram em sintonia, mas nada garante que continue assim nas próximas semanas. A volatilidade vinda dos mercados europeus só tende a aumentar à medida que os impasses políticos da zona do Euro ficam escancarados. E a recuperação brasileira, de vontade endógena, demora a chegar.
Mantega afirma, com recorrência, que temos mais ferramentas do que os países ricos. Em verdade, temos menor pressão fiscal, mas maior pressão inflacionária. São características de nossa economia, hoje. Sabendo dos riscos de uma estagflação no Brasil, é preciso cautela para apostar na tendência baixista dos juros, mesmo com cenários pessimistas no front externo e na produção interna.
Mantega afirma, com recorrência, que temos mais ferramentas do que os países ricos. Em verdade, temos menor pressão fiscal, mas maior pressão inflacionária. São características de nossa economia, hoje. Sabendo dos riscos de uma estagflação no Brasil, é preciso cautela para apostar na tendência baixista dos juros, mesmo com cenários pessimistas no front externo e na produção interna.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Ativa x XP x Gradual na carteira semanal
As corretoras levaram um olé do mercado essa semana. Todas retiraram PETR4 das sugestões e hoje a ação bombou com resultados muito acima do esperado. De qualquer forma acertaram no caráter defensivo das carteiras, centradas no desempenho do mercado interno. A XP sugeriu VIVT4, CPFL3, AMBV4, CTIP3 e UGPA3, uma carteira bem equilibrada. A Ativa AMBV4, LAME4, CPLE6, BVMF3 e BRML3, acertando muito bem nas Lojas Americanas, até agora. A carteira semanal da Gradual, sempre muito grande, veio de OIBR4, OHLB3, VALE5, BBAS3, ELPL4, TRPL4, CPLE6, SLED4, ITSA4, ETER3 e PSSA3. Parece ser uma carteira desatualizada e sem nexo com a conjuntura semanal.
Euro derretendo
Enfim, agora é pra valer. Se antes a saída da Grécia era a típica aposta de cara ou coroa, 50/50, agora o cenário é outro. Quando o próprio presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, admite a possibilidade da Grécia cair fora, para preservar a integridade do balanço contábil, quer dizer que a queda de braço política torceu o braço grego. Não parece em nada com uma ameaça, mas com um aviso de novos tempos e arranjos políticos frescos e inovadores.
A saída da Grécia ficou mais fácil de implementar do que sua permanência, ainda mais emergindo partidos marginais que por certo não apoiarão mais austeridade. Conhece-se, em algum grau, o preço da saída da Grécia, mas não se sabe o preço da continuidade de uma política econômica insana e desequilibrada.
Temos um mês até as eleições gregas, em 17 de junho. É o teste de fogo do euro, agora em 1.2717. É difícil imaginar qualquer ação que recupere a credibilidade da moeda europeia nesse próximo mês. Além disso, cedo ou tarde a paella vai estragar de vez e causar indigestão nos mercados. A Espanha tem se aproveitado do bode expiatório grego. Notícias positivas, no campo europeu, nos próximos meses, são pausas pro descanso da descida do morro EUR/USD.
A saída da Grécia ficou mais fácil de implementar do que sua permanência, ainda mais emergindo partidos marginais que por certo não apoiarão mais austeridade. Conhece-se, em algum grau, o preço da saída da Grécia, mas não se sabe o preço da continuidade de uma política econômica insana e desequilibrada.
Temos um mês até as eleições gregas, em 17 de junho. É o teste de fogo do euro, agora em 1.2717. É difícil imaginar qualquer ação que recupere a credibilidade da moeda europeia nesse próximo mês. Além disso, cedo ou tarde a paella vai estragar de vez e causar indigestão nos mercados. A Espanha tem se aproveitado do bode expiatório grego. Notícias positivas, no campo europeu, nos próximos meses, são pausas pro descanso da descida do morro EUR/USD.
terça-feira, 15 de maio de 2012
A influência dos modelos econômicos na análise política
Lee Sigelman e Robert Goldfarb, em artigo para o Journal of Economic Methodology, buscam analisar por meio de quais ferramentas a ciência econômica tornou-se tão influente na análise política. Sugerem que o caminho da influência se deu pela força das técnicas derivadas do modelo de escolhas racionais.
Até o final do século XX, argumentava-se que esse tipo de análise só valia para os norte-americanos, supostamente mais individualistas e utilitários que outros povos. Hoje em dia a análise se estendeu para todas as democracias. No Brasil demorou para se estabelecer, porém ninguém mais duvida de seu poder analítico.
O sucesso do modelo de escolhas racionais se deu, também, pela ausência de outros modelos. Com o fim de grande parte das experiências de socialismo real o horizonte encurtou. A político passou a se ocupar de assuntos do dia-a-dia, ao mesmo tempo em que os eleitores se educaram e se prepararam para as eleições democráticas. A história caminhou para um contexto em que tal modelo se tornou muito bom para prever resultados e orientar candidatos em suas campanhas. Os políticos podem ser construídos sob medida para atender classes e grupos de opinião.
Goste ou repudie, o modelo veio pra ficar. Ajuda a política e presta grandes contribuições à ciência. Por força das pesquisas de opinião, para subsidiar escolhas de campanha, temos conhecido um Brasil de brasileiros que não tinha sido captado pelos tradicionais ensaios acadêmicos, em geral de cunho marxista. Um país de valores conservadores mas que gosta de um Estado amplo e atuante. Um retrato jamais captado por intelectuais, porque enfurnados em seus escritórios não sabiam e não levavam a sério as opiniões do povão.
Até o final do século XX, argumentava-se que esse tipo de análise só valia para os norte-americanos, supostamente mais individualistas e utilitários que outros povos. Hoje em dia a análise se estendeu para todas as democracias. No Brasil demorou para se estabelecer, porém ninguém mais duvida de seu poder analítico.
O sucesso do modelo de escolhas racionais se deu, também, pela ausência de outros modelos. Com o fim de grande parte das experiências de socialismo real o horizonte encurtou. A político passou a se ocupar de assuntos do dia-a-dia, ao mesmo tempo em que os eleitores se educaram e se prepararam para as eleições democráticas. A história caminhou para um contexto em que tal modelo se tornou muito bom para prever resultados e orientar candidatos em suas campanhas. Os políticos podem ser construídos sob medida para atender classes e grupos de opinião.
Goste ou repudie, o modelo veio pra ficar. Ajuda a política e presta grandes contribuições à ciência. Por força das pesquisas de opinião, para subsidiar escolhas de campanha, temos conhecido um Brasil de brasileiros que não tinha sido captado pelos tradicionais ensaios acadêmicos, em geral de cunho marxista. Um país de valores conservadores mas que gosta de um Estado amplo e atuante. Um retrato jamais captado por intelectuais, porque enfurnados em seus escritórios não sabiam e não levavam a sério as opiniões do povão.
domingo, 13 de maio de 2012
Quem vencerá a Libertadores 2012?
O Sportingbet está com cotações abertas para o vencedor da Libertadores: Corínthians (4.70), Fluminense (4.70), Santos (4.70), Boca Juniors (6.00), Universidad de Chile (6.50), Vasco (11.00), Velez (11.00) e Libertad (17.00). Na minha opinião, as cotações estão muito espalhadas, distantes umas das outras. Os times são mais equilibrados na prática do mata-mata. Difícil crer que o Libertad tem quase 1/4 das chances do Fluminense, por exemplo. O mesmo vale para o Vasco, que é apenas ligeiramente inferior aos considerados favoritos. Estranha ainda mais se pensarmos que o time paraguaio joga contra o time chileno e um deles vai para as semi-finais com certeza.
sábado, 12 de maio de 2012
Ação ou aventura no forex?
Busque ação, evite aventura, poderíamos dizer. Não adianta investir num par de moedas sem ação. Por ação entendemos um mercado ativo, com grande volume movimentado e respostas claras a novos indicadores, pronunciamentos e fatos políticos. O mercado morno, onde não está ocorrendo a ação dos investidores, é ruim de trabalhar, porque as trajetórias de preços são mais arbitrárias. A arbitrariedade é péssima para o trader, pois cobra spreads e impõe jogo de loteria e não de inteligência. As apostas viram bingo, como se diz, uma aventura que se traduz em prejuízos no longo prazo.
A ação, no mês de maio, está em EUR/USD (25% das posições de traders) e AUD/USD (11,4%). São os pares que melhor respondem às andanças da crise europeia e mundial. A balança dos traders pende a favor da recuperação da economia e do preço das commodities. Difícil saber até que ponto o novo cenário europeu esquerdista já foi precificado.
A ação, no mês de maio, está em EUR/USD (25% das posições de traders) e AUD/USD (11,4%). São os pares que melhor respondem às andanças da crise europeia e mundial. A balança dos traders pende a favor da recuperação da economia e do preço das commodities. Difícil saber até que ponto o novo cenário europeu esquerdista já foi precificado.
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