sábado, 12 de maio de 2012

Carteira da Coinvalores para maio de 2012

A carteira da Coinvalores é sempre muito interessante por conter uma gama muito ampla de ativos. São 17 ativos. Vejamos.
O peso maior, de 10%, vai para VALE5 e PETR4, o que aproxima a carteira com tantas ações ao Ibovespa.  Relacionadas aos combustíveis e minerais, sugere também GGBR4, UGPA3 e CSAN3. No setor de bancos, entre muitas dúvidas, mantiveram ITUB4. Construtoras, há EZTC3 e JHSF3, sem surpresas. Para explorar a força do mercado interno, RADL3, ODPV3, MPLU3 e BRML3. CMIG4 foi a única escolha do setor de energia. OHLB3 é novidade na carteira e, embora possa ter aproveitado os bons resultados divulgados na sexta, há dúvidas sobre o que pode acontecer com a mudança dos controladores. Para aproveitar um possível avanço nos investimentos de infra-estrutura, MYPK3 e CSMG3.
Saíram da carteira BRFS3, CIEL3, JSLG3 e CPFE3. Parece que a carteira fica menos defensiva, apostando na recuperação global da bolsa. O que é questionável nessa data.

Vídeo locadora dá lucro?

Escuto de muitos amigos que o pior negócio do mundo para se abrir hoje em dia é a vídeo-locadora. A morte das locadoras tem sido prevista há anos, principalmente por conta da pirataria. No entanto, muitas ainda sobrevivem e bradam por lucros. Por certo, aproveitam nichos de mercado que se formaram na última década e que provavelmente sobreviverão nos próximos anos sem dissolução.
Quem aluga filmes hoje em dia? Como são formados os nichos? Aluga filmes quem não os baixa na internet e não os compra em camelôs. Basicamente, o público consumidor é formado por pessoas que não dominam as novas tecnologias digitais, seja por preguiça ou dificuldade de aprendê-las (idosos e pessoas de baixo nível educacional, por exemplo), que buscam filmes difíceis de achar no mercado pirata (filmes de arte ou nacionais), ou que se recusam a piratear. O tamanho desses nichos, no entanto, diminuem ao longo do tempo, tornando a vídeo-locadora um mau negócio. Por que as pessoas ainda assim abrem vídeo-locadoras?
Muitos empresários se deixam seduzir pelos atrativos do empreendimento a tal ponto que são cegados pelas más perspectivas do setor. Isso pode acontecer com todos nós, nas mais diversas áreas. Baixo capital inicial, inexigência de experiência prévia no segmento e possibilidade de trabalhar com o que gosta (poder assistir filmes o dia inteiro, e.g.) encantam qualquer um — mas não a ponto de compensar as adversidades reais enfrentadas.
É imprescindível pensar nos caminhos de longo prazo que um negócio pode percorrer. Se as perspectivas não forem boas, a solução é mudar de área, mesmo se for algo doloroso de efetuar no curto prazo. É preciso tomar cuidado com o discurso de que "é importante fazer o que gosta". O prazer de montar um negócio relacionado com seus hobbies e interesses pode sumir rapidamente e o que fica é o gerenciamento de uma empresa como qualquer outra. Talvez seja melhor separar as coisas, como dizem, e dedicar-se à empresa independentemente de seu apego com o setor ou com os objetos. Por último, a inexigência de experiência só tende a piorar a lucratividade da empreitada, tendo em vista que sempre haverá muitos concorrentes, o que força as margens de lucro pra baixo. Pode ser preferível pagar o preço do aprendizado em um setor que exige experiência para encontrar uma posição de mercado confortável após alguns anos.

Quem será o campeão brasileiro de 2012?

As bolsas de apostas (ao menos Sportingbet, Bwin e Betfair) já lançaram suas cotações e probabilidades iniciais para o campeão brasileiro de 2012. Poucas apostas foram feitas e as linhas ainda não se mexeram. Cinco times aparecem como favoritos (em ordem decrescente): Corínthians, São Paulo, Fluminense, Santos e Internacional. São times com probabilidade de serem campeões de 8% a 11% cada.
Com probabilidades menores, em torno de 6% a 8%, mas ainda significativas, seguem, em ordem decrescente, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Vasco e Botafogo. Um pouco mais abaixo, com 4%, Cruzeiro e Atlético MG. Cinco times tem probabilidade de serem campeões próximas ou menores de 1%, a saber, Náutico, Atlético GO, Bahia, Sport e Ponte Preta. Com 2% de chances encontram-se Portuguesa, Figueirense e Coritiba.
É difícil acreditar nos azarões. Com muito dinheiro nos clubes grandes, os times pequenos precisam de equipes sólidas e bem formadas. Nenhuma equipe demonstrou assim ser, nos estaduais. Tampouco é razoável crer no sucesso dos mineiros, com equipes de qualidade duvidosa e de plantel insuficiente. Eu também não apostaria no segundo escalão de favoritos: o time do Grêmio é medíocre, o Flamengo entrará questionado, o Palmeiras tem um quadro apenas mediano, assim como o Botafogo. Talvez o Vasco surpreenda, mas nada que justifique cotações de time grande.
Ficamos, portanto, somente com os favoritos. Uma aposta compartilhada entre esses, antes do apito inicial, é capaz de trazer bons lucros. Retirando o Inter da lista, o lucro potencial aumenta. A equipe gaúcha tem jogadores com nomes e currículos, mas não consegue convencer em campo. Relativamente consistentes, Corínthians, São Paulo, Fluminense e Santos devem tomar a liderança.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Muitas emoções nos juros futuros: a surpresa da inflação

Produção em baixa e inflação em alta. Não tínhamos saudades da estagflação, mas ela voltou a se apresentar à casa dos economistas, ainda que tímida. Mantega falou da posição confortável do Brasil, da diferença entre nós e eles (os desenvolvidos). Mas nada comentou sobre nossas especificidades perversas, silenciando sobre nossa inércia inflacionária, indexação e repasse rápido de preços.
De qualquer forma, o IPCA alto produziu uma elevação de apenas 0,2 p.p., trazendo o juros de janeiro de 2013 de 7,99 para 8,01. Maiores impactos nos contratos longos , janeiro de 2014, de 8,42 para 8,51, e janeiro de 2015, de 9,03 para 9,15.
A dúvida, daqui pra frente, é a respeito de nosso câmbio, qual o impacto na inflação de um real depreciado. Se o intervencionismo de esquerda se acirrar, influenciado por ventos austrais, é bem possível que a trajetória do real se firme na tendência a depreciação. Esperemos pra ver se ocorre esse cenário pouco provável, em minha opinião, mas ainda possível, pois Dilma tem demonstrado não ter medo de correr riscos. No cenário mais radical, o piso de 8% ruiria.
O difícil é acreditar em caminho oposto, na força do Banco Central em conseguir impor juros maiores para conter os preços. Claro que o maior crescimento é ótimo politicamente, mas pode ser melhor um pássaro na mão do que dois voando. Nesse caso, crescimento pequeno com a inflação sob controle é quase certo que reconduzirá a mãezona ao palácio. Enfim, Dilma carece de bons assessores político-econômicos.

sábado, 5 de maio de 2012

Finais dos Estaduais

Ótima notícia para os apostadores brasileiros. As bolsas de apostas abriram nada mais nada menos do que nove finais estaduais. Há cinco clássicos, de prognóstico muito difícil de acertar. Mas pode-se optar por Avaí (2.50) x Figueirense, pelo efeito maior do jogo em casa cheia na Ressacada, talvez não medido. Santa Cruz (2.70) x Sport no Arruda, pelo mesmo motivo, assim como Atlético Paranaense (2.40) x Coritiba no Dorival de Brito, e Vitória (2.37) x Bahia, no Barradão.
Difícil palpitar sobre Atlético Goianiense (2.30) x Goiás, no Serra Dourada, pois a leve vantagem do rubro-negro já está contabilizada. Dificuldade semelhante é a aposta no Fluminense (2.45) x Botafogo, no Engenhão, em princípio, um campo neutro — nesse caso, também, a vantagem parece estar precificada.
Parece mais simples apostar nos favoritos no gaúcho, Caxias x Internacional (2.0), no mineiro, America x Atlético (2.0) e no paulista, Guarani x Santos (1.57). Nesses três casos, o time local não se favorece tanto do efeito casa, principalmente porque os juízes passam a ser mais sensíveis as pressões dos times grandes.
Apostar duplas, com cotações acima de 2.0, e com diversificação, pode ser lucrativo.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A escola de economia da Unicamp está decadente?

Em coluna no jornal Valor econômico, em 29/02/2012, nosso renomado desenvolvimentista José Luís Fiori afirma que a escola campineira perdeu sua capacidade de inovação e criação. Soe estranho um colega de esquerda tecer tais críticas. Mas também soa honesto e enriquecedor. Fiori fala que a escola foi, no passado, "capaz de renovar as ideias e as interpretações clássicas (marxistas e nacionalistas) do desenvolvimento capitalista brasileiro" e responsável por uma "reinterpretação do caminho específico e tardio do capitalismo brasileiro e dos seus ciclos econômicos". O auge ficou nos anos 80 e, a partir dos anos 90, diz o professor, "dedicou-se cada vez mais ao estudo de políticas setoriais e específicas, e para a formação cada vez mais rigorosa de economistas heterodoxos, e de quadros de governo". Fiori escreve, ainda, que as boas ideias de antigamente se transformaram em fórmulas escolásticas, e que ao invés de ampliar o horizonte utópico converteu-se em uma ideologia tecnocrática incapaz de mobilização social.
A provocação do ensaio é ótima, mas a qualidade de seus argumentos não é. Ora, ao menos dois processos observados, o estreitamento do campo das possibilidades e o enfraquecimento das utopias, por um lado, e a dificuldade de mobilização social, por outro, são globais e afetam a todos. Não se trata de algo que mesmo os prepotentes líderes da escola campineira pudessem arquitetar uma superação. Em outras palavras, são problemas que todos enfrentam, de sindicatos a universidades, de partidos políticos a associações de bairro. Numa democracia fria, a capacidade da escola campineira empolgar, aquecer e mobilizar declinou, sem dúvidas. Boas ideias continuam a nascer por lá, em grande parte porque ainda atrai os melhores alunos do país alinhados com a esquerda econômica. Mas uma ideia, por mais revolucionária, inovadora e criativa, não ecoa hoje como há 40 anos atrás.
Quanto à dedicação à formação de economistas heterodoxos, trata-se de uma virtude e não de um defeito. Ora, as funções primordiais da universidade são o ensino e a pesquisa. Que bom saber que levam a sério seus alunos, aulas e pesquisas científicas (das quais decorrem o estudo de políticas setoriais e específicas). A escola seria decadente se estivesse presa à luta política morna de hoje em dia e fosse negligente com a qualidade das suas pesquisas e da formação de seus estudantes. Na Unicamp, são justamente os líderes de ontem, os piores professores de hoje, porque não sabem lidar de forma adequada com o ensino e pesquisa.
Sem dúvida, existe algum grau de tecnocracia. Mas num grau muito menor do que nas escolas ortodoxas — essas sim, profundamente tecnocráticas, porque não dão margem para uma compreensão histórico-estrutural da economia e possuem uma modelagem dura dos indivíduos e da sociedade, que nem sempre é boa para pensar a prática.
Ademais, na Unicamp, não somente um modelo é usado. São várias correntes que são exploradas e aprofundadas. É raro observar tal mistura, criativa e enriquecedora, em qualquer outra escola de economia do mundo. Kaleckianos, schumpeterianos, pós-keynesianos, keynesianos, estruturalistas, desenvolvimentistas, institucionalistas e marxistas convivem e trocam ideias. Difícil imaginar ambiente mais propício à formação de algo novo. O avanço é lento, no entanto, porque a formação desses quadros e a maturação intelectual demora. A produtividade é menor, porque a massa crítica, quando se tem tantas correntes, é pequena. Mas esses são custos de se estar na fronteira do conhecimento heterodoxo.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Final da Champions

Bayern (1.72) ou Chelsea (5.00)? Os ingleses surpreenderam e as cotações a favor do Barcelona estiveram muito otimistas da passagem do catalão. O time do Chelsea estará desfalcado, sem Ramires, Ivanovic, Meireles e Terry. Os desfalques do Bayern são menos importantes: Alaba, Badstuber e Luiz Gustavo. Mas o time do Bayern é esquisito. Nem sempre parece funcionar. Diferente do Chelsea, que está em harmonia. É provável que os times ataquem e se segurem após o primeiro gol. Pelo heroísmo, vou torcer para o Chelsea e apostarei nos azuis para me divertir. Vejamos se as cotações mudam até o dia 19 de maio.