Um pouco de economia e muitas discussões sobre risco e lucro. Pequenos negócios, ações, títulos públicos, operações cambiais e mercados de prognósticos esportivos.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Melhor título do Tesouro Direto para novembro de 2012
Nada de novo na economia de outubro para novembro de 2012. Faltam poucos dias para a próxima reunião do COPOM, em 27 e 28 de novembro. A dúvida é se a Selic desce já para 7,0% ou se é postergada uma nova queda de um quarto percentual. Embora os economistas apontem para a permanência em 7,25%, os investidores no mercado de juros futuros estão bem divididos: há semanas a taxa pouco oscila em torno de 7,10%, mostrando que a maior parte dos traders acredita em uma queda agora. Minha aposta é de queda. Os votos surpreenderam na última reunião e não há porque imaginar qualquer mudança de tendência dos votantes, tendo em vista que os cenários econômicos são basicamente os mesmos. Assim sendo, para quem quer especular, títulos indexados de prazos curtos, até a próxima eleição, podem ser uma boa pedida, como as LTNs com vencimento em janeiro de 2013 e janeiro de 2014.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
As polêmicas apostas políticas
Em seu blogue (04/11/12), Paul Krugman, um defensor escancarado de Mitt Romney, duvidou da eficiência do mercado de apostas como preditor das eleições. Ele escreve não ser fã da sabedoria das multidões (the wisdom of crowds). E cita duas razões para tal: i) os apostadores usam do mesmo universo de informações dos não-apostadores em suas análises; e ii) alguns apostadores colocam o dinheiro em candidatos que eles querem que ganhe e não em quem eles realmente acham que vão ganhar.
Os argumentos de Krugman são péssimos. A concepção de que o universo de informações é o mesmo, ainda que razoável, é enganadora. Por vários motivos. Os apostadores não escolheram apenas entre Romney e Obama para a presidência do país, mas como vencedor nos Estados específicos. E aí a proximidade da fonte das informações influencia muito. Tendo em vista que as pesquisas nos estados que poderiam mudar de vencedor dão margem para a dúvida, pois a margem de erro abria a possibilidade de vitória dos dois candidatos, elas fornecem apenas a informação de que naquele determinado Estado o vencedor está indefinido. Mas o morador de Nevado ou Iowa tem acesso a informações que um acadêmico novaiorquino leitor de jornais e atento a pesquisas não tem: ele sabe quem está com preguiça de ir votar, quem mudou de opinião, quem é indeciso. Não há dúvida que em nível local o apostador pode controlar mais informações e, com inteligência, fazer bom uso delas.
Outro problema é que as pesquisas de opinião muitas vezes são viesadas a favor de um ou outro candidato, por meio de técnicas de metodologia ou por simples manipulação. Um apostador não tem porque alterar o resultado de suas pesquisas, pois ele está realmente interessado em saber quem irá ganhar e não tem como objetivo influenciar as pessoas. A mentira, para um apostador, não interessa.
Uma terceira questão é quanto ao uso da informação. Um apostador, ao colocar dinheiro de seu próprio bolso, tem muito interesse em explorar todo o universo de informações existentes. Ou seja, ele de fato usa as informações e as busca. Outra pessoa, um jornalista ou um palpiteiro qualquer, ainda que tenha acesso à informação, pode não buscá-la de fato, por falta de interesse em assim fazê-lo. Uma palavra errada de um jornalista que busca predizer algo será facilmente esquecida por seus leitores e o custo de errar uma previsão para um não-apostador é muito baixo. Ao contrário, o apostador tem um custo direto em errar sua previsão e fará de tudo para não fazê-lo. E o apostador não pode se escorar em margens de erro, como fazem as pesquisas. Se ele errar, terá prejuízo.
Por fim, é preciso reconhecer que existem apostadores não profissionais, por lazer, que de fato apostam para quem eles querem que ganhe. É uma forma de tornar mais emocionante a disputa. No caso das eleições, torna-se prazeroso acompanhar o seu candidato e torcer para que ganhe na reta final. Esse comportamento, no entanto, não está presente na maioria dos apostadores. Mesmo se esse tipo de aposta viesada fosse a norma, não deixaria de servir como uma pesquisa de opinião, tendo em vista que revela os votos das massas indiretamente.
Por tudo isso, apostar em política é muito interessante. Mas o apostador acostumado com eventos esportivos deve estar atento às peculiaridades das estatísticas e cotações, tendo em vista que a probabilidade contida nos preços pode sinalizar, com maior segurança, os resultados finais. Em outras palavras, no caso de francos favoritos, as probabilidade corretas do mundo real podem ser mais altas do que as probabilidades do mundo das apostas. Se existe algum viés nas probabilidades das casas de apostas, é sempre em prol dos não favoritos. Isso Krugman não foi capaz de reconhecer, pois seria admitir a influência de sua emoção e sua irracionalidade em sua análise, algo condenável para um economista de sua estirpe.
Os argumentos de Krugman são péssimos. A concepção de que o universo de informações é o mesmo, ainda que razoável, é enganadora. Por vários motivos. Os apostadores não escolheram apenas entre Romney e Obama para a presidência do país, mas como vencedor nos Estados específicos. E aí a proximidade da fonte das informações influencia muito. Tendo em vista que as pesquisas nos estados que poderiam mudar de vencedor dão margem para a dúvida, pois a margem de erro abria a possibilidade de vitória dos dois candidatos, elas fornecem apenas a informação de que naquele determinado Estado o vencedor está indefinido. Mas o morador de Nevado ou Iowa tem acesso a informações que um acadêmico novaiorquino leitor de jornais e atento a pesquisas não tem: ele sabe quem está com preguiça de ir votar, quem mudou de opinião, quem é indeciso. Não há dúvida que em nível local o apostador pode controlar mais informações e, com inteligência, fazer bom uso delas.
Outro problema é que as pesquisas de opinião muitas vezes são viesadas a favor de um ou outro candidato, por meio de técnicas de metodologia ou por simples manipulação. Um apostador não tem porque alterar o resultado de suas pesquisas, pois ele está realmente interessado em saber quem irá ganhar e não tem como objetivo influenciar as pessoas. A mentira, para um apostador, não interessa.
Uma terceira questão é quanto ao uso da informação. Um apostador, ao colocar dinheiro de seu próprio bolso, tem muito interesse em explorar todo o universo de informações existentes. Ou seja, ele de fato usa as informações e as busca. Outra pessoa, um jornalista ou um palpiteiro qualquer, ainda que tenha acesso à informação, pode não buscá-la de fato, por falta de interesse em assim fazê-lo. Uma palavra errada de um jornalista que busca predizer algo será facilmente esquecida por seus leitores e o custo de errar uma previsão para um não-apostador é muito baixo. Ao contrário, o apostador tem um custo direto em errar sua previsão e fará de tudo para não fazê-lo. E o apostador não pode se escorar em margens de erro, como fazem as pesquisas. Se ele errar, terá prejuízo.
Por fim, é preciso reconhecer que existem apostadores não profissionais, por lazer, que de fato apostam para quem eles querem que ganhe. É uma forma de tornar mais emocionante a disputa. No caso das eleições, torna-se prazeroso acompanhar o seu candidato e torcer para que ganhe na reta final. Esse comportamento, no entanto, não está presente na maioria dos apostadores. Mesmo se esse tipo de aposta viesada fosse a norma, não deixaria de servir como uma pesquisa de opinião, tendo em vista que revela os votos das massas indiretamente.
Por tudo isso, apostar em política é muito interessante. Mas o apostador acostumado com eventos esportivos deve estar atento às peculiaridades das estatísticas e cotações, tendo em vista que a probabilidade contida nos preços pode sinalizar, com maior segurança, os resultados finais. Em outras palavras, no caso de francos favoritos, as probabilidade corretas do mundo real podem ser mais altas do que as probabilidades do mundo das apostas. Se existe algum viés nas probabilidades das casas de apostas, é sempre em prol dos não favoritos. Isso Krugman não foi capaz de reconhecer, pois seria admitir a influência de sua emoção e sua irracionalidade em sua análise, algo condenável para um economista de sua estirpe.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Carteira recomendada para novembro 2012
A carteira da XP continua, no mínimo, esquisita, e não à toa tem o segundo pior desempenho das dez avaliadas. Constam CTIP3, IMCH3, OHLB3, ITUB4 e CSAN3. De qualquer forma, deve se alinhar mais ao Ibovespa, pois aumentou a liquidez da carteira. Outra carteira com desempenho ruim no ano é a da Planner, com BBDC4, PETR4, VIVT4, PCAR4 e FLRY3. Nenhuma aposta arriscada e uma tentativa de colar no Ibovespa para não ficar ainda pior.
A Souza Barros, nossa preferida dos últimos meses, continua centrando suas apostas no mercado interno: AMBV4, CCRO3, HGTX3, NATU3 e TBLE3. Estranho é somente a presença da Tractebel, em um setor que ainda se encontra em processo de reencontro. Mas a orientação da carteira é sólida. Outra carteira com vistas ao feijão com arroz é a da Bradesco: ABCB4, AEDU3, BRPR3, BVMF3 e VIVT4, sem alterações quanto ao mês anterior. Ainda com foco no mercado interno, a Santander sugere CSAN3, QUAL3, KROT11, LREN3 e MULT3.
As outras corretoras também focalizaram o mercado interno, mas não com tanta ênfase. A carteira menos alinhada é a da Octo: BBDC4, VALE5, CCRO3, GGBR4 e DTEX3. Fortemente ancorada no Ibovespa, com muitas blue chips e uma concentração irrazoável em ferro e aço, além de uma aposta quiçá tardia em construção civil. A Ativa também arriscou introduzir uma ação de banco, ITUB4, em sua carteira, junto a VALE5, KROT11, LREN3 e TECN3. A Vale também está presente na Geração Futuro, ao lado de LREN3, KROT11, WEGE3 e AMBV3, uma carteira bastante parecida com a da Ativa.
A Citi trocou o minério pelo combustível, carregando a carteira com PETR4 e SMTO3, além de SBSP3, CCRO3 e AMBV4. A Petrobras também está na corajosa carteira da SLW, que aposta em retrações, tendo em vista que quatro dos cinco papéis tiveram desempenho negativo no mês anterior: PETR4, RAPT4, CTIP3 e MMXM3. O quinto papel sugerido é LREN3, que vive um bom momento pela lucratividade revelada no último balanço.
É difícil apostar numa reação fantasmagórica da economia mundial e tampouco num governo amantegado saciado de intervenções. Além disso é preciso ser cauteloso com balanços heroicos, como das educacionais. Resta-nos empresas sólidas, baseadas de fato em bons fundamentos. Por isso, ficamos com a carteira da Souza Barros e, como segunda opção, da Citi.
A Souza Barros, nossa preferida dos últimos meses, continua centrando suas apostas no mercado interno: AMBV4, CCRO3, HGTX3, NATU3 e TBLE3. Estranho é somente a presença da Tractebel, em um setor que ainda se encontra em processo de reencontro. Mas a orientação da carteira é sólida. Outra carteira com vistas ao feijão com arroz é a da Bradesco: ABCB4, AEDU3, BRPR3, BVMF3 e VIVT4, sem alterações quanto ao mês anterior. Ainda com foco no mercado interno, a Santander sugere CSAN3, QUAL3, KROT11, LREN3 e MULT3.
As outras corretoras também focalizaram o mercado interno, mas não com tanta ênfase. A carteira menos alinhada é a da Octo: BBDC4, VALE5, CCRO3, GGBR4 e DTEX3. Fortemente ancorada no Ibovespa, com muitas blue chips e uma concentração irrazoável em ferro e aço, além de uma aposta quiçá tardia em construção civil. A Ativa também arriscou introduzir uma ação de banco, ITUB4, em sua carteira, junto a VALE5, KROT11, LREN3 e TECN3. A Vale também está presente na Geração Futuro, ao lado de LREN3, KROT11, WEGE3 e AMBV3, uma carteira bastante parecida com a da Ativa.
A Citi trocou o minério pelo combustível, carregando a carteira com PETR4 e SMTO3, além de SBSP3, CCRO3 e AMBV4. A Petrobras também está na corajosa carteira da SLW, que aposta em retrações, tendo em vista que quatro dos cinco papéis tiveram desempenho negativo no mês anterior: PETR4, RAPT4, CTIP3 e MMXM3. O quinto papel sugerido é LREN3, que vive um bom momento pela lucratividade revelada no último balanço.
É difícil apostar numa reação fantasmagórica da economia mundial e tampouco num governo amantegado saciado de intervenções. Além disso é preciso ser cauteloso com balanços heroicos, como das educacionais. Resta-nos empresas sólidas, baseadas de fato em bons fundamentos. Por isso, ficamos com a carteira da Souza Barros e, como segunda opção, da Citi.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Lan-house dá lucro?
Essa é uma das dúvidas mais populares no ramo dos negócios lucrativos. Vejamos as características do negócio.
O público das lan-houses é formado por pessoas que tem conectividade limitada. Isso pode acontecer por várias razões: podem estar longe de casa, podem não querer ou não poder pagar uma conexão de banda larga, podem estar em viagem, podem não ter computadores funcionando.
São públicos bem distintos, mas nem por isso deixam de estar concentrados. A localização ideal de lan-houses é próxima de viajantes (rodoviárias, aeroportos, hotéis e centro da cidade), de grande circulação de pessoas (próximo a centros comerciais e terminais de ônibus), de repartições públicas (onde as pessoas necessitam acessar computadores para preencher pedidos ou fazer impressões) ou de escolas e faculdades (onde precisam imprimir trabalhos e finalizá-los).
Há tempos o maior público das lan-houses era de jogadores de jogos eletrônicos em rede. Isso mudou, porque as pessoas jogam em suas casas, com conexões boas. Hoje o maior público é de sujeitos que acessam o Facebook para manter atualizadas suas redes sociais.
Os investimentos são baixos: pouco mais de R$ 20.000,00, compostos por doze computadores, uma impressora, um aparelho de ar condicionado, um servidor, uma geladeira para acondicionar bebidas à venda e móveis baratos. Não são necessários móveis sofisticados, tendo em vista que o usuário típico não se importa para esses detalhes. A escolha da lan-house geralmente se dá pela localização (a mais perto de todas) e pela qualidade do serviço (computadores funcionando e conexão rápida) e raramente pela sofisticação do espaço e dos móveis. Um bom ar condicionado é essencial, para manter o cliente por mais tempo no recinto. Cadeiras estofadas e ergonômicas também ajudam a reter os usuários.
O custo mensal de manter uma lan-house é formado por: contabilidade e impostos (R$ 500,00), aluguel (R$ 800,00), salários de dois empregados com encargos (R$ 2.400,00), conexão (R$ 200,00), insumos diversos (R$ 300,00), depreciação (R$ 400,00), custo de oportunidade (R$ 100,00) e outras despesas (R$ 300,00). O custo mensal estimado é de R$ 5.000,00. Supondo que você opere ao menos 25 dias ao mês, isso significa que terá de faturar no mínimo R$ 200,00 por dia. Não é uma tarefa fácil. Cobrando R$ 3,00 por hora, com dez computadores ocupados, são 6 horas e quarenta minutos de ocupação. Ou seja, é muito difícil atingir o ponto limite entre o prejuízo e o lucro.
A maioria das lan-houses que sobrevivem tem de baixar ao máximo o custo mensal. O ponto crítico é o salário dos funcionários. Como pode ser notado, boa parte do faturamento será destinado a tal despesa. O negócio só é viável, na prática, se o próprio dono trabalhar na maior parte do tempo e não depender de funcionários registrados. Caso contrário o negócio precisa ser muito bem estudado, com um estudo de demanda que garanta a boa frequência.
O público das lan-houses é formado por pessoas que tem conectividade limitada. Isso pode acontecer por várias razões: podem estar longe de casa, podem não querer ou não poder pagar uma conexão de banda larga, podem estar em viagem, podem não ter computadores funcionando.
São públicos bem distintos, mas nem por isso deixam de estar concentrados. A localização ideal de lan-houses é próxima de viajantes (rodoviárias, aeroportos, hotéis e centro da cidade), de grande circulação de pessoas (próximo a centros comerciais e terminais de ônibus), de repartições públicas (onde as pessoas necessitam acessar computadores para preencher pedidos ou fazer impressões) ou de escolas e faculdades (onde precisam imprimir trabalhos e finalizá-los).
Há tempos o maior público das lan-houses era de jogadores de jogos eletrônicos em rede. Isso mudou, porque as pessoas jogam em suas casas, com conexões boas. Hoje o maior público é de sujeitos que acessam o Facebook para manter atualizadas suas redes sociais.
Os investimentos são baixos: pouco mais de R$ 20.000,00, compostos por doze computadores, uma impressora, um aparelho de ar condicionado, um servidor, uma geladeira para acondicionar bebidas à venda e móveis baratos. Não são necessários móveis sofisticados, tendo em vista que o usuário típico não se importa para esses detalhes. A escolha da lan-house geralmente se dá pela localização (a mais perto de todas) e pela qualidade do serviço (computadores funcionando e conexão rápida) e raramente pela sofisticação do espaço e dos móveis. Um bom ar condicionado é essencial, para manter o cliente por mais tempo no recinto. Cadeiras estofadas e ergonômicas também ajudam a reter os usuários.
O custo mensal de manter uma lan-house é formado por: contabilidade e impostos (R$ 500,00), aluguel (R$ 800,00), salários de dois empregados com encargos (R$ 2.400,00), conexão (R$ 200,00), insumos diversos (R$ 300,00), depreciação (R$ 400,00), custo de oportunidade (R$ 100,00) e outras despesas (R$ 300,00). O custo mensal estimado é de R$ 5.000,00. Supondo que você opere ao menos 25 dias ao mês, isso significa que terá de faturar no mínimo R$ 200,00 por dia. Não é uma tarefa fácil. Cobrando R$ 3,00 por hora, com dez computadores ocupados, são 6 horas e quarenta minutos de ocupação. Ou seja, é muito difícil atingir o ponto limite entre o prejuízo e o lucro.
A maioria das lan-houses que sobrevivem tem de baixar ao máximo o custo mensal. O ponto crítico é o salário dos funcionários. Como pode ser notado, boa parte do faturamento será destinado a tal despesa. O negócio só é viável, na prática, se o próprio dono trabalhar na maior parte do tempo e não depender de funcionários registrados. Caso contrário o negócio precisa ser muito bem estudado, com um estudo de demanda que garanta a boa frequência.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Melhor título público para outubro de 2012
A queda expressiva dos juros futuros em todos os prazos, antes do Copom e referendada pelo Comitê, trouxe ganhos expressivos para quem apostou nos prefixados. Foi uma aposta relativamente arriscada, mais baseada em informações de mercado do que em fundamentos econômicos. O vazamento do voto de uma dos diretores, uma semana antes, referendou a pressão baixista da Selic e calou os economistas. A queda de braço se repete agora, com a Selic para janeiro de 2013 abaixo de 7,10, indicando que boa parte do mercado projeta a taxa a 7,0%. De novo, dissenso com os economistas em uníssono quando a manutenção em 7,25 nas próximas reuniões. É bem possível que o Banco Central esteja seguindo o mercado — tal atitude não é novidade em nossa terra, por mais estranho que possa parecer. Nesse caso, os fundamentos econômicos são pouco úteis para fazer prognósticos e o que conta é a força especulativa de quem está próximo ao poder.
Não há mais almoço grátis nas NTN-Bs. Há quem especule pelo achatamento da curva para os prazos mais dilatados, mas mesmo os juros para janeiro de 2015 já estão abaixo de 8,0. Para além desse ano, a eleição presidencial, mesmo que previsível, pode trazer turbulências que não justificam uma curva tão baixa. Enfim, em minha opinião, para o pequeno investidor, especular não vale o risco. O melhor é se refugiar nas LFTs e dormir sem pesadelos. Quem quiser especular, prefira os títulos mais longos, de vencimento em 2020 em diante, que se valorizam com o prolongamento da crise mundial.
Não há mais almoço grátis nas NTN-Bs. Há quem especule pelo achatamento da curva para os prazos mais dilatados, mas mesmo os juros para janeiro de 2015 já estão abaixo de 8,0. Para além desse ano, a eleição presidencial, mesmo que previsível, pode trazer turbulências que não justificam uma curva tão baixa. Enfim, em minha opinião, para o pequeno investidor, especular não vale o risco. O melhor é se refugiar nas LFTs e dormir sem pesadelos. Quem quiser especular, prefira os títulos mais longos, de vencimento em 2020 em diante, que se valorizam com o prolongamento da crise mundial.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Surpreendendo-se com as correlações
Atualmente, EUR/USD ou AUD/USD são os dois pares preferidos dos traders. Ao menos na Oanda, 27,4% das posições abertas são em EUR/USD e 12,4% em AUD/USD. Esses moedas correspondem a quase 40% do mercado. Pelo menos em tese, no noticiário, são moedas bastante correlacionadas, porque ambas tratam das perspectivas de superação da crise mundial, ainda que sob olhos mais ou menos puxados. Mas na prática a teoria é outra: a correlação entra as moedas está pequena: 0,18 no último ano e incríveis 0,04 nos últimos três meses. Outra moeda com tão baixa correlação com EUR/USD somente USD/JPY, -0,1 em doze meses. Vale lembrar que, naturalmente, por consequência, USD/JPY e AUD/USD também tem baixa correlação, 0,12 em um ano.
Note que a diversificação das aplicações só é de fato conquistada quando se atenta para pares com correlação baixa.
Curiosamente, nas posições abertas, as apostas são exatamente inversas: 59,0% longas em AUD/USD e 59,0% curtas em EUR/USD, mostrando, talvez, uma correlação inversa nos palpites — o que difere das correlações verificadas no passado e da correlação teórica.
Note que a diversificação das aplicações só é de fato conquistada quando se atenta para pares com correlação baixa.
Curiosamente, nas posições abertas, as apostas são exatamente inversas: 59,0% longas em AUD/USD e 59,0% curtas em EUR/USD, mostrando, talvez, uma correlação inversa nos palpites — o que difere das correlações verificadas no passado e da correlação teórica.
Carteira de outubro de 2012
Comecemos pela XP: CTIP3 foi uma ação questionada no primeiro semestre, por rumores da entrada de novos concorrentes no ramo, mas os boatos não se confirmaram e a ação voltou a subir com relativa consistência. SHOW3 é uma aposta arriscada, buscando retomar seu valor anterior ao tropeço no picadeiro. TBLE3 é outra aposta de retração, mas no campo regulatório, porém é de se perguntar se o preço já não se estabilizou. IMCH3 é uma aposta de segunda linha que pode dar certo se a empresa provar que pode aumentar seus lucros. E OHLB3 é a quarta aposta de retração.
A OGX não aparece faz tempo nas carteiras, mas nesse mês compareceu na Octo, junto de VALE5, GGBR4, ITUB4 e TAEE11. Difícil entender porque deixar mineralizada a carteira e esquecer de tirar o banco, além de dar uma nova chance para a transmissão elétrica. Carteira parecida com a da Geração Futuro, com um banco (BBAS3), duas de commodities (VALE5 e UGPA3), uma metal mecânica exportadora, WEGE3, e outra dependente dos bancos (VLID3).
Um banco também está presente na carteira da Planner: BBDC4, OHLB3, VIVT4, PETR4 e FLRY3. Parece uma carteira equilibrada, mas talvez tenha vindo com muito atraso e não vai reverter o péssimo desempenho ao longo do ano.
A Bradesco foi muito bem em setembro, mas mudou por completo sua carteira, apostando em bons momentos técnicos de BVMF3, AEDU3 e BRPR3, na retração de VIVT4 e na migração de ações financeiras para um banco médio ABCB4. Parece técnica demais a carteira, mas pode dar certo.
A carteira da Ativa continua simpática e recorreu ao mundo técnico para melhorar seu desempenho: JBSS3, KROT11, BRPR3 e VALE5, além de TECN3, um achado fundamentalista, empresa de bons lucros que ainda não está cara.
Kroton continua na carteira da Santander, mesmo com múltiplos salgados. Mas essa não é uma preocupação da corretora, ao adicionar RAPT4, RENT3 e CCRO3. Múltiplos razoáveis só em SBSP3.
A Citi foi de PETR4, AMBV4, SBSP3, BRPR3 e GGBR4, uma carteira pouco descolada do Ibovespa. A SLW decidiu fugir do Ibovespa e centrar o foco no mercado interno, com CIEL3, ALLL3, CPLE6 e PCAR4, além de MMXM3.
Por fim a Souza Barros, sempre a nossa favorita, não revolucionou sua carteira, que continuou com BRML3, CCRO3, HGTX3 e RADL3, e pôs cerveja na mesa com AMBV4.
A OGX não aparece faz tempo nas carteiras, mas nesse mês compareceu na Octo, junto de VALE5, GGBR4, ITUB4 e TAEE11. Difícil entender porque deixar mineralizada a carteira e esquecer de tirar o banco, além de dar uma nova chance para a transmissão elétrica. Carteira parecida com a da Geração Futuro, com um banco (BBAS3), duas de commodities (VALE5 e UGPA3), uma metal mecânica exportadora, WEGE3, e outra dependente dos bancos (VLID3).
Um banco também está presente na carteira da Planner: BBDC4, OHLB3, VIVT4, PETR4 e FLRY3. Parece uma carteira equilibrada, mas talvez tenha vindo com muito atraso e não vai reverter o péssimo desempenho ao longo do ano.
A Bradesco foi muito bem em setembro, mas mudou por completo sua carteira, apostando em bons momentos técnicos de BVMF3, AEDU3 e BRPR3, na retração de VIVT4 e na migração de ações financeiras para um banco médio ABCB4. Parece técnica demais a carteira, mas pode dar certo.
A carteira da Ativa continua simpática e recorreu ao mundo técnico para melhorar seu desempenho: JBSS3, KROT11, BRPR3 e VALE5, além de TECN3, um achado fundamentalista, empresa de bons lucros que ainda não está cara.
Kroton continua na carteira da Santander, mesmo com múltiplos salgados. Mas essa não é uma preocupação da corretora, ao adicionar RAPT4, RENT3 e CCRO3. Múltiplos razoáveis só em SBSP3.
A Citi foi de PETR4, AMBV4, SBSP3, BRPR3 e GGBR4, uma carteira pouco descolada do Ibovespa. A SLW decidiu fugir do Ibovespa e centrar o foco no mercado interno, com CIEL3, ALLL3, CPLE6 e PCAR4, além de MMXM3.
Por fim a Souza Barros, sempre a nossa favorita, não revolucionou sua carteira, que continuou com BRML3, CCRO3, HGTX3 e RADL3, e pôs cerveja na mesa com AMBV4.
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