Para abril, as corretoras parecem aprofundar as estratégias já comentadas do mês passado: persistência no mercado interno e redução do espaço para as blue chips.
A Ativa resolveu apostar na celulose e se render à bolha das faculdades, incluindo KLBN4 e AEDU, ao lado de LREN3, ITUB4 e VALE5. Chama a atenção a persistência da mineradora, o que também ocorre na carteira da Octo, que a manteve junto de BVMF3, trocou BBDC4 por ITUB4, BRML4 por EZTC3, descartou a celulose de SUZB5 e também se rendeu ao ensino superior com KROT3. A Vale enfim saiu da carteira da Santander, dando lugar a RAPT4, ao lado de PCAR4, KROT3, EVEN3 e CSAN3. É a única corretora que ainda manteve a Cosan.
A Souza Barros fugiu de ações que o mercado às vezes considera caras, como AMBV3 e TOTS3, manteve ARTR3, ITUB4 e RENT3, sugestões seguras, mas acrescentou as temerárias CTIP3 e OIBR4 (esta já fortemente punida no primeiro terço do mês). A Totus entrou na carteira da Planner, compartilhada com SMTO3, CRUZ3, BRPR3 e TAEE11.
A carteira da Citi só tirou a cerveja da mesa pra servir a comida da BRFS3, acompanhada por CCRO3, EVEN3, ITUB4 e TIMP3. Por certo, continuam aguardando a recuperação das telefônicas. A Bradesco se rendeu às small caps, exceto por BVMF3: ALPA4, RADL3, DIRR3 e ESTC3. Os três últimos papéis são apostas de correção de preços, tendo em vista que caíram com força no mês passado. Em mesma linha, a SLW só manteve, entre as grandes empresas, BBDC4, para concentrar sua carteira em medium caps, como AEDU3, RAPT4, DASA3 e DTEX3.
A Geração Futuro, levemente abaixo de zero no ano, resolveu assumir e congelou sua carteira: ITUB4, KROT3, CIEL3, UGPA3 e LREN3.
Quanto a XP, até agora a líder entre as carteiras publicadas pelo Valor, talvez tenhamos de dar o braço a torcer, como dizem. Possivelmente eles têm conseguido, pelo peso de seus clientes, mover o mercado. Mas a carteira continua bastante especulativa: PDGR3, BRML3, FJTA4, BVMF3 e CGRA4.
Um pouco de economia e muitas discussões sobre risco e lucro. Pequenos negócios, ações, títulos públicos, operações cambiais e mercados de prognósticos esportivos.
domingo, 14 de abril de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
Apego ao lucro e o underbetting
De repente você se dá conta que está batendo seus recordes. Sua sequência de vitórias não pode mais ser contabilizada pelos dedos de suas mãos. O valor de sua aposta típica é o mais alto no ano. As apostas parecem cada vez mais fáceis. Com frequência você se loga apenas pelo prazer de ver seu saldo polpudo.
Súbito, você sente medo. Queria permanecer no estado de graça das estrelas vitoriosas para o resto de sua vida. Mas sabe que tudo é passageiro e o amanhã pode ser muito diferente. Sua mente trava, as ideias não fluem mais como antes. O teclado numérico fica pesado e você começa a questionar se o valor de sua aposta é mesmo o mais correto. Sua cabeça se perde, você se desconcentra na busca pelas apostas mais favoráveis e perde tempo com devaneios diversos. Ao invés de buscar notícias que possam te ajudar, perde tempo buscando passagens aéreas para o Caribe. Quando assiste aos jogos, não fica de olho na bola, mas deixa sua vista vagar no horizonte a procura do que fazer com tanto dinheiro que você ainda não ganhou. Você sofre uma derrota, fica alerta de novo mas se sente como um náufrago no oceano, impotente e enfraquecido. Passa a adiar novas apostas e entra num quadro de underbetting: faz um volume de bets inferior ao ótimo.
Sair do underbetting não é fácil. Não basta simplesmente aumentar, à força, o volume de apostas, pois nesse caso você foge do equilíbrio e cai no overbetting. É preciso restaurar o equilíbrio emocional, buscar disciplina e definir métodos que tornem explícito o enquadramento ou não de uma aposta.
Súbito, você sente medo. Queria permanecer no estado de graça das estrelas vitoriosas para o resto de sua vida. Mas sabe que tudo é passageiro e o amanhã pode ser muito diferente. Sua mente trava, as ideias não fluem mais como antes. O teclado numérico fica pesado e você começa a questionar se o valor de sua aposta é mesmo o mais correto. Sua cabeça se perde, você se desconcentra na busca pelas apostas mais favoráveis e perde tempo com devaneios diversos. Ao invés de buscar notícias que possam te ajudar, perde tempo buscando passagens aéreas para o Caribe. Quando assiste aos jogos, não fica de olho na bola, mas deixa sua vista vagar no horizonte a procura do que fazer com tanto dinheiro que você ainda não ganhou. Você sofre uma derrota, fica alerta de novo mas se sente como um náufrago no oceano, impotente e enfraquecido. Passa a adiar novas apostas e entra num quadro de underbetting: faz um volume de bets inferior ao ótimo.
Sair do underbetting não é fácil. Não basta simplesmente aumentar, à força, o volume de apostas, pois nesse caso você foge do equilíbrio e cai no overbetting. É preciso restaurar o equilíbrio emocional, buscar disciplina e definir métodos que tornem explícito o enquadramento ou não de uma aposta.
O Ciclo Confiança-Derrota
A psicologia das apostas esportivas, como todos sabemos, é muito complexa. A frequência variável de apostas é um dos fenômenos mais difíceis de administrar.
Em tese todos nós sabemos que você só pode escolher as melhores oportunidades para ser lucrativo. Precisa selecionar o joio do trigo. Apostadores iniciantes demoram a aprender isso, porque o prazer de apostar dificulta a decisão de omitir uma aposta. Mas o problema de overbetting também afeta os mais experientes. Mesmo conhecendo o problema, ele ataca de forma sorrateira.
Você é experiente e escolhe cuidadosamente suas apostas, prévias ou ao vivo. Já provou ter lucro consistente várias vezes seguidas e sabe que tem de zelar por seu lado emocional. Você está numa sequência longa de vitórias e aos poucos, sem notar, começa a ter confiança exagerada e aposta em muito mais jogos do que deveria. Se você tiver sorte, a aleatoriedade não te trará nem lucros nem prejuízos e você lembrará das pedras do caminho dourado. Se tiver azar, você pode perder vários jogos seguidos, surtar, tentar caçar os resultados (chase) ou apelar para martingales, levando-o a ruína rapidamente se não for capaz de se recobrar a tempo. Você precisará de serenidade para conseguir, mesmo no campo negativo, selecionar apenas as boas oportunidades. Meditação e um reforço no raciocínio analítico são como canja de galinha: talvez não curem sua doença, mas por certo não vão piorá-la.
Monitore-se e crie um sistema de alertas emocionais. Só os números podem ser enganadores. Você precisa perscrutar sua alma para construir uma solidez positiva.
Em tese todos nós sabemos que você só pode escolher as melhores oportunidades para ser lucrativo. Precisa selecionar o joio do trigo. Apostadores iniciantes demoram a aprender isso, porque o prazer de apostar dificulta a decisão de omitir uma aposta. Mas o problema de overbetting também afeta os mais experientes. Mesmo conhecendo o problema, ele ataca de forma sorrateira.
Você é experiente e escolhe cuidadosamente suas apostas, prévias ou ao vivo. Já provou ter lucro consistente várias vezes seguidas e sabe que tem de zelar por seu lado emocional. Você está numa sequência longa de vitórias e aos poucos, sem notar, começa a ter confiança exagerada e aposta em muito mais jogos do que deveria. Se você tiver sorte, a aleatoriedade não te trará nem lucros nem prejuízos e você lembrará das pedras do caminho dourado. Se tiver azar, você pode perder vários jogos seguidos, surtar, tentar caçar os resultados (chase) ou apelar para martingales, levando-o a ruína rapidamente se não for capaz de se recobrar a tempo. Você precisará de serenidade para conseguir, mesmo no campo negativo, selecionar apenas as boas oportunidades. Meditação e um reforço no raciocínio analítico são como canja de galinha: talvez não curem sua doença, mas por certo não vão piorá-la.
Monitore-se e crie um sistema de alertas emocionais. Só os números podem ser enganadores. Você precisa perscrutar sua alma para construir uma solidez positiva.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Carteira recomendada para março de 2013
As mudanças feitas para o ano, pelas corretoras, surtiram efeito. Todas venceram o Ibovespa em fevereiro. As estratégias são as mesmas: aposta no mercado interno e fuga das blue chips desbotadas.
A Ativa continua pouca ativa: LREN3, CSAN3, ITUB4 e VALE5 continuaram e só entrou BRML3. A Santander também fez uma única mudança, tirando KLBN4 para abrir espaço para CSAN3, além de PCAR4, KROT3, EVEN3 e VALE5.
A Souza Barros tirou LREN3 e CCRO3 e está com AMBV3, ARTR3, ITUB4, TOTS3 e RENT3. O interessante é que as ações que aí saíram entraram na carteira da Planner, junto de SMTO3 e das que ficaram do mês anterior, MULT3 e TAEE11. Lembremos que as sugestões da Planner tem sido ruins já há algum tempo. E CCRO3 também está na carteira da SLW, que também começou mal o ano. Pelo menos tirou a Petro e rol de ações não está mais tão feio: além da concessionária, AEDU3, RAPT4, NATU3 e BRFS3. Mas fique de olho: outras duas corretoras tiraram a faculdade de suas listas. A Bradesco a excluiu, junto de Tim e Cosan, para formar uma carteira de BVMF3, ABCB4, RADL3, DIRR3 e HYPE3. E a XP, cada vez mais influente pela ação de seus soldados, também. A XP está com PDGR3, SBSP3, FJTA4, BBRK3 e CGRA4. As escolhas da XP são, muitas vezes, ilíquidas, mas se bem coordenadas podem dar certo.
A carteira da Citi, que também tem sua cota de influência, ficou no feijão com arroz (CCRO3, EVEN3, ITUB4, TIMP3, AMBV4). É a única que manteve a telefônica dos avatares. Uma decisão corajosa, porque a intervenção governamental ainda não parece ter terminado. E foi curiosa a troca de Bradesco por Itaú. A entrada da Ambev não vejo com bons olhos: parece que o melhor momento se foi.
Temos ainda as carteiras da Geração Futuro (ITUB4, KROT3, CIEL3, UGPA3 e LREN3) e da Octo (BRML3, BBDC4, SUZB5, VALE5 e BVMF3). Na primeira, chama a atenção a corajosa saída da Vale, opção acertada pelo que se viu nos dois primeiros pregões do mês das águas. Depois da derrubada paulatina da Petro e dos X talvez tenha chegado a hora da Vale. E não entendo as justificativas para apostar na BM&F.
Em relação as carteiras que não são divulgadas no Valor Econômico, mas no Infomoney, vale repassar as sugestões da Rico: VALE5, SUZB5, HBOR3 e BRML3, além de quatro papéis direta ou indiretamente ligados ao mercado financeiro: BVMF3, VLID3, ITUB4 e BBDC4. Uma aposta no mínimo estranha, pois, como sabemos, o impacto aguardado da Selic nessas empresas é bastante distinto.
Na carteira da Omar Camargo, chama a atenção a coragem de sugerir VAGR3. O resto dos papéis está em linha com outras corretoras. Por fim, na Geral, só foram trocadas ALSC3, NATU3 e LEVE3, abrindo espaço para AMBV4, ABRE11 e BRML3.
A Ativa continua pouca ativa: LREN3, CSAN3, ITUB4 e VALE5 continuaram e só entrou BRML3. A Santander também fez uma única mudança, tirando KLBN4 para abrir espaço para CSAN3, além de PCAR4, KROT3, EVEN3 e VALE5.
A Souza Barros tirou LREN3 e CCRO3 e está com AMBV3, ARTR3, ITUB4, TOTS3 e RENT3. O interessante é que as ações que aí saíram entraram na carteira da Planner, junto de SMTO3 e das que ficaram do mês anterior, MULT3 e TAEE11. Lembremos que as sugestões da Planner tem sido ruins já há algum tempo. E CCRO3 também está na carteira da SLW, que também começou mal o ano. Pelo menos tirou a Petro e rol de ações não está mais tão feio: além da concessionária, AEDU3, RAPT4, NATU3 e BRFS3. Mas fique de olho: outras duas corretoras tiraram a faculdade de suas listas. A Bradesco a excluiu, junto de Tim e Cosan, para formar uma carteira de BVMF3, ABCB4, RADL3, DIRR3 e HYPE3. E a XP, cada vez mais influente pela ação de seus soldados, também. A XP está com PDGR3, SBSP3, FJTA4, BBRK3 e CGRA4. As escolhas da XP são, muitas vezes, ilíquidas, mas se bem coordenadas podem dar certo.
A carteira da Citi, que também tem sua cota de influência, ficou no feijão com arroz (CCRO3, EVEN3, ITUB4, TIMP3, AMBV4). É a única que manteve a telefônica dos avatares. Uma decisão corajosa, porque a intervenção governamental ainda não parece ter terminado. E foi curiosa a troca de Bradesco por Itaú. A entrada da Ambev não vejo com bons olhos: parece que o melhor momento se foi.
Temos ainda as carteiras da Geração Futuro (ITUB4, KROT3, CIEL3, UGPA3 e LREN3) e da Octo (BRML3, BBDC4, SUZB5, VALE5 e BVMF3). Na primeira, chama a atenção a corajosa saída da Vale, opção acertada pelo que se viu nos dois primeiros pregões do mês das águas. Depois da derrubada paulatina da Petro e dos X talvez tenha chegado a hora da Vale. E não entendo as justificativas para apostar na BM&F.
Em relação as carteiras que não são divulgadas no Valor Econômico, mas no Infomoney, vale repassar as sugestões da Rico: VALE5, SUZB5, HBOR3 e BRML3, além de quatro papéis direta ou indiretamente ligados ao mercado financeiro: BVMF3, VLID3, ITUB4 e BBDC4. Uma aposta no mínimo estranha, pois, como sabemos, o impacto aguardado da Selic nessas empresas é bastante distinto.
Na carteira da Omar Camargo, chama a atenção a coragem de sugerir VAGR3. O resto dos papéis está em linha com outras corretoras. Por fim, na Geral, só foram trocadas ALSC3, NATU3 e LEVE3, abrindo espaço para AMBV4, ABRE11 e BRML3.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
As promessas de lucros extraordinários
Às vezes, apostadores são piores que pescadores. Adoram contar vantagem e exagerar em seus sucessos. Lucros de 100% ao mês parecem normais, qualquer um com um mínimo de inteligência parece ser capaz de dobrar seu pequeno stack inicial em menos de trinta dias. Em um dos fóruns em português, há até quem jura ter conseguido 859% em 19 dias e que garante que não foi um sucesso extraordinário.
Ora, vamos aos cálculos. Um ganho de 100% ao mês corresponde a um ganho, com juros compostos, de 409.500% ao ano (lembre-se que 2^12 é 4.096). Calculando os juros compostos em seguida de ano em ano, em 10 anos você estará com 1,32*10^39. Por certo, será a pessoa mais rica da galáxia.
Mas podemos supor que você apenas quer ser a pessoa mais rica do mundo e precisa de 50 bilhões para isso. Porém só tem mil reais no bolso, proveniente do FGTS que você recolheu depois de ser demitido por justa causa. E você só aguentaria esperar por dez anos para poder torrar a grana acumulada. Quanto você precisaria de rentabilidade mensal? Por ano são necessários 488,7% de rendimentos reais, o que dá aproximadamente 16% ao mês.
Em outras palavras, qualquer rendimento de 16% ao mês ou maior já o tornará o homem mais rico da terra em menos de uma década.
Mas vamos supor que você seja humilde e só quer transformar R$ mil reais em um milhão em um prazo de dez anos. Nesse caso, bastam singelos 5,9% ao mês.
Não se deixe enganar. Nenhum pescador conta histórias de quando não pescou nada. Elas não tem graça e não atraem a atenção de ninguém. Mas é o que acontece na maioria das vezes. Peixes grandes, exibidos como troféus, são poucos e cada vez mais raros. Por certo você pescará seus dourados e pirarucus de vez em quando, mas terá de se contentar com bagres ou lambaris no dia a dia.
Ora, vamos aos cálculos. Um ganho de 100% ao mês corresponde a um ganho, com juros compostos, de 409.500% ao ano (lembre-se que 2^12 é 4.096). Calculando os juros compostos em seguida de ano em ano, em 10 anos você estará com 1,32*10^39. Por certo, será a pessoa mais rica da galáxia.
Mas podemos supor que você apenas quer ser a pessoa mais rica do mundo e precisa de 50 bilhões para isso. Porém só tem mil reais no bolso, proveniente do FGTS que você recolheu depois de ser demitido por justa causa. E você só aguentaria esperar por dez anos para poder torrar a grana acumulada. Quanto você precisaria de rentabilidade mensal? Por ano são necessários 488,7% de rendimentos reais, o que dá aproximadamente 16% ao mês.
Em outras palavras, qualquer rendimento de 16% ao mês ou maior já o tornará o homem mais rico da terra em menos de uma década.
Mas vamos supor que você seja humilde e só quer transformar R$ mil reais em um milhão em um prazo de dez anos. Nesse caso, bastam singelos 5,9% ao mês.
Não se deixe enganar. Nenhum pescador conta histórias de quando não pescou nada. Elas não tem graça e não atraem a atenção de ninguém. Mas é o que acontece na maioria das vezes. Peixes grandes, exibidos como troféus, são poucos e cada vez mais raros. Por certo você pescará seus dourados e pirarucus de vez em quando, mas terá de se contentar com bagres ou lambaris no dia a dia.
Depois de um milhão
Todos sabem que um milhão não significa mais muita coisa nos dias de hoje. Ajuda bastante, é claro, mas está longe de ser considerado suficiente para alguém poder ser chamado de rico, como muitos desejam.
Se sua meta é conseguir 10 milhões em 10 anos a partir de um capital de R$ 1 milhão você precisará de um rendimento real anual de 26%. E mesmo assim não irá gastar o dinheiro depois do prazo, porque se você conseguiu tal crescimento, desejará esperar mais dez anos para embolsar cem milhões.
Se a meta for obter 20 milhões em 20 anos a partir do mesmo capital de R$ 1 milhão o desafio é bem mais fácil, 16% — esta é a taxa que muitas pessoas extraordinariamente bem sucedidas operam. Por certo, você não vai achar tal oportunidade em fundos de investimento listados em jornais ou disponíveis em seu banco. E prepare-se para alavancar seu capital algumas vezes e assumir muitos riscos.
O mundo real, no entanto, tem oferecido rendimentos de 3% a 5% ao ano. Em dez anos você chegará a um valor entre R$ 1,34 e R$ 1,63 milhão. Em vinte, 1,80 e 2,65 milhão. Mas se você cruzar uma época difícil, de baixo crescimento econômico e demografia declinante, ou de governos interventores, de graças se conseguir manter intacto o seu capital. Não é raro termos taxas de juros negativas. Aliás, é muito comum, para o desespero dos poupadores.
Se sua meta é conseguir 10 milhões em 10 anos a partir de um capital de R$ 1 milhão você precisará de um rendimento real anual de 26%. E mesmo assim não irá gastar o dinheiro depois do prazo, porque se você conseguiu tal crescimento, desejará esperar mais dez anos para embolsar cem milhões.
Se a meta for obter 20 milhões em 20 anos a partir do mesmo capital de R$ 1 milhão o desafio é bem mais fácil, 16% — esta é a taxa que muitas pessoas extraordinariamente bem sucedidas operam. Por certo, você não vai achar tal oportunidade em fundos de investimento listados em jornais ou disponíveis em seu banco. E prepare-se para alavancar seu capital algumas vezes e assumir muitos riscos.
O mundo real, no entanto, tem oferecido rendimentos de 3% a 5% ao ano. Em dez anos você chegará a um valor entre R$ 1,34 e R$ 1,63 milhão. Em vinte, 1,80 e 2,65 milhão. Mas se você cruzar uma época difícil, de baixo crescimento econômico e demografia declinante, ou de governos interventores, de graças se conseguir manter intacto o seu capital. Não é raro termos taxas de juros negativas. Aliás, é muito comum, para o desespero dos poupadores.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Os grandes prêmios lotéricos são aconselháveis?
A Mega Sena da Virada não foi uma novidade brasileira. No mundo inteiro, as loterias nacionais têm se dedicado, nos últimos anos, a sortearem, esporadicamente, grandes potes milionários cada vez maiores. Por aqui se estuda fazer a Mega Sena da Páscoa, também com o intuito de formar um pote enorme e atrair a atenção do público consumidor.
A princípio, parece uma ideia interessante. Mas sob o prisma das políticas públicas pode não ser. Do ponto de vista econômico, esses grandes prêmios são produtores de desigualdade. Por conta de serem mais difíceis de serem acertadas as combinações, os vitoriosos surgem em pequeno número, contados nos dedos das mãos. A promessa é se tornar podre de rico, ganhar sozinho a bolada e gozar de poder terreno como ninguém.
É difícil imaginar que muitas pessoas façam questão de ganhar R$ 400 milhões ao invés de R$ 4 milhões somente. Para a maioria de brasileiros, o prêmio menor possibilitaria uma renda vitalícia de R$ 10 mil por mês proveniente de rendimentos e a possibilidade de deixar o montante em sua integralidade para seus herdeiros. Pode-se argumentar que um bom apartamento, uma casa na praia, um título de um clube e um par de carros importados de luxo já custam mais do que isso. Mesmo assim, sem sair do razoável, R$ 10 milhões já seriam adequados para sustentar uma vida extravagante por um bom tempo. Valores maiores do que isso, em um país como o Brasil, são desnecessários. A pessoa nem teria o que comprar na maioria das cidades. Teria de se mudar para um lugar mais rico para acompanhar o consumo de bens de luxo, mas isso dificilmente aconteceria, pois a maioria das pessoas prefere ficar entre amigos e parentes.
Sob o aspecto da desigualdade, um ganhador de R$ 400 milhões é muito pior do que 100 ganhadores de R$ 4 milhões. E para o bem estar social também, porque tirou a possibilidade de 99 outros ganhadores realizarem seus sonhos, pagarem suas dívidas e ajudarem seus vizinhos e familiares. O tamanho do pote parece necessitar de alguma média. Não pode ser pequeno, como nas loterias instantâneas, pois a rentabilidade negativa não é compensada pela esperança de se obter uma resposta definitiva para os problemas materiais das pessoas. Mas não pode ser muito grande, pois surge como um prêmio desperdiçado. O dinheiro tem utilidade decrescente. Talvez ganhar R$ 4 milhões traga a mesma alegria e satisfação do que ganhar R$ 400 milhões. Nesse caso, a sociedade estaria melhor se conseguisse produzir outros 99 ganhadores.
Ademais, grandes prêmios parecem produzir mais efeitos negativos. De acordo com o Ministério da Saúde da Nova Zelândia (New Zealand Herald) houve um surto de crescimento de problemas de viciados em jogos de loteria nos últimos anos. Até então, os viciados em jogos se restringiam ao poker naquele país. Mas a promessa do pote milionário em 2009 em paralelo a uma economia em baixo crescimento fez crescer o problema. A causa, em princípio, está no impacto da grande publicidade que esses prêmios possuem e na comoção popular que produzem. Assim, acabam por atingir uma população vulnerável ao vício que estaria numa condição melhor se não fosse diretamente estimulada pelo jogo. No caso em tela, a possibilidade de fácil acesso por meio remoto às apostas parece também ter contribuído com o incremento dos viciados.
De qualquer forma, é difícil falar sobre a regulação das loterias, pois na maior parte das vezes o regulado é o próprio regulador, o governo. De qualquer forma, parece adequado, assim como fazem as empresas privadas que exploram os jogos de azar, alertar os consumidores sobre os riscos potenciais da atividade e criar mecanismos que possibilitam o bloqueio voluntário do jogo. É irônico que as empresas privadas ofereçam tais alertas e instrumentos de segurança, enquanto justamente o governo não apresenta nenhuma ação preventiva. A publicidade é necessária para a divulgação do produto e para que não seja danosa deve informar corretamente o consumidor sobre o que está efetivamente comprando e assumir os riscos solidários de prejuízos potenciais.
A princípio, parece uma ideia interessante. Mas sob o prisma das políticas públicas pode não ser. Do ponto de vista econômico, esses grandes prêmios são produtores de desigualdade. Por conta de serem mais difíceis de serem acertadas as combinações, os vitoriosos surgem em pequeno número, contados nos dedos das mãos. A promessa é se tornar podre de rico, ganhar sozinho a bolada e gozar de poder terreno como ninguém.
É difícil imaginar que muitas pessoas façam questão de ganhar R$ 400 milhões ao invés de R$ 4 milhões somente. Para a maioria de brasileiros, o prêmio menor possibilitaria uma renda vitalícia de R$ 10 mil por mês proveniente de rendimentos e a possibilidade de deixar o montante em sua integralidade para seus herdeiros. Pode-se argumentar que um bom apartamento, uma casa na praia, um título de um clube e um par de carros importados de luxo já custam mais do que isso. Mesmo assim, sem sair do razoável, R$ 10 milhões já seriam adequados para sustentar uma vida extravagante por um bom tempo. Valores maiores do que isso, em um país como o Brasil, são desnecessários. A pessoa nem teria o que comprar na maioria das cidades. Teria de se mudar para um lugar mais rico para acompanhar o consumo de bens de luxo, mas isso dificilmente aconteceria, pois a maioria das pessoas prefere ficar entre amigos e parentes.
Sob o aspecto da desigualdade, um ganhador de R$ 400 milhões é muito pior do que 100 ganhadores de R$ 4 milhões. E para o bem estar social também, porque tirou a possibilidade de 99 outros ganhadores realizarem seus sonhos, pagarem suas dívidas e ajudarem seus vizinhos e familiares. O tamanho do pote parece necessitar de alguma média. Não pode ser pequeno, como nas loterias instantâneas, pois a rentabilidade negativa não é compensada pela esperança de se obter uma resposta definitiva para os problemas materiais das pessoas. Mas não pode ser muito grande, pois surge como um prêmio desperdiçado. O dinheiro tem utilidade decrescente. Talvez ganhar R$ 4 milhões traga a mesma alegria e satisfação do que ganhar R$ 400 milhões. Nesse caso, a sociedade estaria melhor se conseguisse produzir outros 99 ganhadores.
Ademais, grandes prêmios parecem produzir mais efeitos negativos. De acordo com o Ministério da Saúde da Nova Zelândia (New Zealand Herald) houve um surto de crescimento de problemas de viciados em jogos de loteria nos últimos anos. Até então, os viciados em jogos se restringiam ao poker naquele país. Mas a promessa do pote milionário em 2009 em paralelo a uma economia em baixo crescimento fez crescer o problema. A causa, em princípio, está no impacto da grande publicidade que esses prêmios possuem e na comoção popular que produzem. Assim, acabam por atingir uma população vulnerável ao vício que estaria numa condição melhor se não fosse diretamente estimulada pelo jogo. No caso em tela, a possibilidade de fácil acesso por meio remoto às apostas parece também ter contribuído com o incremento dos viciados.
De qualquer forma, é difícil falar sobre a regulação das loterias, pois na maior parte das vezes o regulado é o próprio regulador, o governo. De qualquer forma, parece adequado, assim como fazem as empresas privadas que exploram os jogos de azar, alertar os consumidores sobre os riscos potenciais da atividade e criar mecanismos que possibilitam o bloqueio voluntário do jogo. É irônico que as empresas privadas ofereçam tais alertas e instrumentos de segurança, enquanto justamente o governo não apresenta nenhuma ação preventiva. A publicidade é necessária para a divulgação do produto e para que não seja danosa deve informar corretamente o consumidor sobre o que está efetivamente comprando e assumir os riscos solidários de prejuízos potenciais.
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