sábado, 12 de maio de 2012

Quem será o campeão brasileiro de 2012?

As bolsas de apostas (ao menos Sportingbet, Bwin e Betfair) já lançaram suas cotações e probabilidades iniciais para o campeão brasileiro de 2012. Poucas apostas foram feitas e as linhas ainda não se mexeram. Cinco times aparecem como favoritos (em ordem decrescente): Corínthians, São Paulo, Fluminense, Santos e Internacional. São times com probabilidade de serem campeões de 8% a 11% cada.
Com probabilidades menores, em torno de 6% a 8%, mas ainda significativas, seguem, em ordem decrescente, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Vasco e Botafogo. Um pouco mais abaixo, com 4%, Cruzeiro e Atlético MG. Cinco times tem probabilidade de serem campeões próximas ou menores de 1%, a saber, Náutico, Atlético GO, Bahia, Sport e Ponte Preta. Com 2% de chances encontram-se Portuguesa, Figueirense e Coritiba.
É difícil acreditar nos azarões. Com muito dinheiro nos clubes grandes, os times pequenos precisam de equipes sólidas e bem formadas. Nenhuma equipe demonstrou assim ser, nos estaduais. Tampouco é razoável crer no sucesso dos mineiros, com equipes de qualidade duvidosa e de plantel insuficiente. Eu também não apostaria no segundo escalão de favoritos: o time do Grêmio é medíocre, o Flamengo entrará questionado, o Palmeiras tem um quadro apenas mediano, assim como o Botafogo. Talvez o Vasco surpreenda, mas nada que justifique cotações de time grande.
Ficamos, portanto, somente com os favoritos. Uma aposta compartilhada entre esses, antes do apito inicial, é capaz de trazer bons lucros. Retirando o Inter da lista, o lucro potencial aumenta. A equipe gaúcha tem jogadores com nomes e currículos, mas não consegue convencer em campo. Relativamente consistentes, Corínthians, São Paulo, Fluminense e Santos devem tomar a liderança.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Muitas emoções nos juros futuros: a surpresa da inflação

Produção em baixa e inflação em alta. Não tínhamos saudades da estagflação, mas ela voltou a se apresentar à casa dos economistas, ainda que tímida. Mantega falou da posição confortável do Brasil, da diferença entre nós e eles (os desenvolvidos). Mas nada comentou sobre nossas especificidades perversas, silenciando sobre nossa inércia inflacionária, indexação e repasse rápido de preços.
De qualquer forma, o IPCA alto produziu uma elevação de apenas 0,2 p.p., trazendo o juros de janeiro de 2013 de 7,99 para 8,01. Maiores impactos nos contratos longos , janeiro de 2014, de 8,42 para 8,51, e janeiro de 2015, de 9,03 para 9,15.
A dúvida, daqui pra frente, é a respeito de nosso câmbio, qual o impacto na inflação de um real depreciado. Se o intervencionismo de esquerda se acirrar, influenciado por ventos austrais, é bem possível que a trajetória do real se firme na tendência a depreciação. Esperemos pra ver se ocorre esse cenário pouco provável, em minha opinião, mas ainda possível, pois Dilma tem demonstrado não ter medo de correr riscos. No cenário mais radical, o piso de 8% ruiria.
O difícil é acreditar em caminho oposto, na força do Banco Central em conseguir impor juros maiores para conter os preços. Claro que o maior crescimento é ótimo politicamente, mas pode ser melhor um pássaro na mão do que dois voando. Nesse caso, crescimento pequeno com a inflação sob controle é quase certo que reconduzirá a mãezona ao palácio. Enfim, Dilma carece de bons assessores político-econômicos.

sábado, 5 de maio de 2012

Finais dos Estaduais

Ótima notícia para os apostadores brasileiros. As bolsas de apostas abriram nada mais nada menos do que nove finais estaduais. Há cinco clássicos, de prognóstico muito difícil de acertar. Mas pode-se optar por Avaí (2.50) x Figueirense, pelo efeito maior do jogo em casa cheia na Ressacada, talvez não medido. Santa Cruz (2.70) x Sport no Arruda, pelo mesmo motivo, assim como Atlético Paranaense (2.40) x Coritiba no Dorival de Brito, e Vitória (2.37) x Bahia, no Barradão.
Difícil palpitar sobre Atlético Goianiense (2.30) x Goiás, no Serra Dourada, pois a leve vantagem do rubro-negro já está contabilizada. Dificuldade semelhante é a aposta no Fluminense (2.45) x Botafogo, no Engenhão, em princípio, um campo neutro — nesse caso, também, a vantagem parece estar precificada.
Parece mais simples apostar nos favoritos no gaúcho, Caxias x Internacional (2.0), no mineiro, America x Atlético (2.0) e no paulista, Guarani x Santos (1.57). Nesses três casos, o time local não se favorece tanto do efeito casa, principalmente porque os juízes passam a ser mais sensíveis as pressões dos times grandes.
Apostar duplas, com cotações acima de 2.0, e com diversificação, pode ser lucrativo.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A escola de economia da Unicamp está decadente?

Em coluna no jornal Valor econômico, em 29/02/2012, nosso renomado desenvolvimentista José Luís Fiori afirma que a escola campineira perdeu sua capacidade de inovação e criação. Soe estranho um colega de esquerda tecer tais críticas. Mas também soa honesto e enriquecedor. Fiori fala que a escola foi, no passado, "capaz de renovar as ideias e as interpretações clássicas (marxistas e nacionalistas) do desenvolvimento capitalista brasileiro" e responsável por uma "reinterpretação do caminho específico e tardio do capitalismo brasileiro e dos seus ciclos econômicos". O auge ficou nos anos 80 e, a partir dos anos 90, diz o professor, "dedicou-se cada vez mais ao estudo de políticas setoriais e específicas, e para a formação cada vez mais rigorosa de economistas heterodoxos, e de quadros de governo". Fiori escreve, ainda, que as boas ideias de antigamente se transformaram em fórmulas escolásticas, e que ao invés de ampliar o horizonte utópico converteu-se em uma ideologia tecnocrática incapaz de mobilização social.
A provocação do ensaio é ótima, mas a qualidade de seus argumentos não é. Ora, ao menos dois processos observados, o estreitamento do campo das possibilidades e o enfraquecimento das utopias, por um lado, e a dificuldade de mobilização social, por outro, são globais e afetam a todos. Não se trata de algo que mesmo os prepotentes líderes da escola campineira pudessem arquitetar uma superação. Em outras palavras, são problemas que todos enfrentam, de sindicatos a universidades, de partidos políticos a associações de bairro. Numa democracia fria, a capacidade da escola campineira empolgar, aquecer e mobilizar declinou, sem dúvidas. Boas ideias continuam a nascer por lá, em grande parte porque ainda atrai os melhores alunos do país alinhados com a esquerda econômica. Mas uma ideia, por mais revolucionária, inovadora e criativa, não ecoa hoje como há 40 anos atrás.
Quanto à dedicação à formação de economistas heterodoxos, trata-se de uma virtude e não de um defeito. Ora, as funções primordiais da universidade são o ensino e a pesquisa. Que bom saber que levam a sério seus alunos, aulas e pesquisas científicas (das quais decorrem o estudo de políticas setoriais e específicas). A escola seria decadente se estivesse presa à luta política morna de hoje em dia e fosse negligente com a qualidade das suas pesquisas e da formação de seus estudantes. Na Unicamp, são justamente os líderes de ontem, os piores professores de hoje, porque não sabem lidar de forma adequada com o ensino e pesquisa.
Sem dúvida, existe algum grau de tecnocracia. Mas num grau muito menor do que nas escolas ortodoxas — essas sim, profundamente tecnocráticas, porque não dão margem para uma compreensão histórico-estrutural da economia e possuem uma modelagem dura dos indivíduos e da sociedade, que nem sempre é boa para pensar a prática.
Ademais, na Unicamp, não somente um modelo é usado. São várias correntes que são exploradas e aprofundadas. É raro observar tal mistura, criativa e enriquecedora, em qualquer outra escola de economia do mundo. Kaleckianos, schumpeterianos, pós-keynesianos, keynesianos, estruturalistas, desenvolvimentistas, institucionalistas e marxistas convivem e trocam ideias. Difícil imaginar ambiente mais propício à formação de algo novo. O avanço é lento, no entanto, porque a formação desses quadros e a maturação intelectual demora. A produtividade é menor, porque a massa crítica, quando se tem tantas correntes, é pequena. Mas esses são custos de se estar na fronteira do conhecimento heterodoxo.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Final da Champions

Bayern (1.72) ou Chelsea (5.00)? Os ingleses surpreenderam e as cotações a favor do Barcelona estiveram muito otimistas da passagem do catalão. O time do Chelsea estará desfalcado, sem Ramires, Ivanovic, Meireles e Terry. Os desfalques do Bayern são menos importantes: Alaba, Badstuber e Luiz Gustavo. Mas o time do Bayern é esquisito. Nem sempre parece funcionar. Diferente do Chelsea, que está em harmonia. É provável que os times ataquem e se segurem após o primeiro gol. Pelo heroísmo, vou torcer para o Chelsea e apostarei nos azuis para me divertir. Vejamos se as cotações mudam até o dia 19 de maio.

Recomendações da Rico Corretora para maio de 2012

A Rico Corretora é bastante popular e em 2012 tem andado bem na carteira de dividendos (17,1% contra 8,9% da Bovespa). Para maio sugerem oito papéis: cinco elétricas (GETI3, CIMG3, TBLE3, COCE5, CESP6), além de BBAS3, MPLU3 e GRND3 (Grendene). A empresa retirou a Eletropaulo da carteira por conta da revisão das tarifas da Aneel. Não entendo porque manteve BBAS3, mesmo observando o péssimo desempenho em abril (-9,1%) e não tendo nenhuma garantia que haverá ingerência governamental na administração do banco. A manutenção da Multiplus se justifica, porque ainda é muito querida pelo mercado. Grendene é uma empresa com bons indicadores e bom pagamento de dividendos.

Selic abaixo de 8% é possível?

É sabido que a poupança limita baixas ulteriores da Selic. As taxas de juros futuras sofreram forte queda hoje, quarta-feira, com a perspectiva da presidente Dilma discutir com a base governista mudanças na fórmula de remuneração da poupança. . É difícil imaginar notícia mais impactante — somente a baixa da poupança de fato assim seria. O contrato de janeiro de 2013 caiu 0,14 p.p., para 8,15, e o de janeiro de 2014 0,22 p.p., para 8,55. Na semana passada prevíamos tendência de queda, mas não tão próxima no tempo.
O momento é delicado. Talvez o mercado tenha reagido excessivamente, por conta do medo. O problema, no entanto, é que há fortes evidências de que a queda dos juros será pra valer. A disposição é da presidente e ela já tem mostrado força gerindo diretamente o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Não será surpresa se o novo piso for abaixo de 8%. Com inflação na meta, de 4,5%, teríamos teóricos juros reais de 3,5%. Para o pequeno investidor, significaria um ganho real, descontados taxas do Tesouro Direto, Imposto de Renda mínimo e inflação, de 1,875%.
Mudar a regra de remuneração da poupança, do ponto de vista técnico, é simples, basta mexer na TR e permitir que possa ser negativa. O problema é político. Mas nada que fórmulas complexas de cálculo não possam ocultar a realidade — foi assim com o fator previdenciário — e as pessoas fiquem com preguiça de entender as mudanças. A decisão, naturalmente, é política, e é muito menos impopular, na minha opinião, que subir o preço da gasolina, por exemplo. Ademais, quem aplica em Caderneta de Poupança nunca esteve muito atento aos números, nos últimos anos, e, sim, à segurança. Cobrar um pouco mais por isso pode passar despercebido.